A Câmara dos Deputados aprovou, na quinta-feira (15), oProjeto de Lei 1.123/2025, que altera a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/1990)para que as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) passem a aceitar exames realizados em clínicas, laboratórios e outros serviços privados. A votação foi simbólica, sem registro de placar. O projeto agora segue para o Senado, que atuará como Casa revisora.
O que muda se o projeto virar lei
A proposta, apresentada em março de 2025 pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), busca evitar que o paciente tenha de refazer, na rede pública, um exame que já pagou na rede privada. Na avaliação do autor, a recusa desses exames por hospitais públicos atrasa tratamentos, inclusive cirúrgicos, e gera duplicidade de procedimentos e uso ineficiente de recursos. A deputada Bia Kicis (PL-DF) afirmou que a medida desburocratiza o acesso e evita que exames percam a validade, o que obrigaria o paciente a pagar de novo do próprio bolso.
Condições previstas
O texto aprovado é um substitutivo do relator, Rodrigo Valadares (PL-SE), construído após negociação com o governo. Pela versão aprovada, os exames privados só serão aceitos se respeitarem os prazos de validade, os requisitos técnicos e os padrões de qualidade definidos pelo SUS. Os critérios detalhados dependerão de regulamentação posterior.
O governo havia se oposto inicialmente ao projeto, sob o argumento de que a medida poderia beneficiar quem tem condições de pagar e, com isso, furar a fila do SUS. A exigência de padrões definidos pelo próprio sistema foi uma sugestão do governo, acolhida pelo relator. O líder da federação PT, PV e PCdoB, Pedro Uczai (PT-SC), chegou a propor que a aceitação ficasse a critério da equipe médica, mas o relator manteve a obrigatoriedade, argumentando que ela não impede o médico de pedir novos exames. Segundo Uczai, a bancada votou a favor do texto porque a regulação, o controle técnico e a fiscalização seguem sob responsabilidade do SUS.
Próximos passos
No Senado, o projeto será analisado pelas comissões e depois pelo Plenário. Se os senadores alterarem o texto, ele volta à Câmara; se o aprovarem sem mudanças, segue para sanção presidencial. Enquanto isso, as regras atuais continuam valendo em todas as unidades do SUS.
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que obriga o SUS a aceitar exames feitos em clínicas e laboratórios particulares. A votação aconteceu na quinta-feira, dia quinze, e o texto agora segue para o Senado.
Pelo projeto, as unidades do SUS passariam a aceitar exames feitos na rede privada, desde que eles respeitem os prazos de validade, os requisitos técnicos e os padrões de qualidade definidos pelo próprio sistema público. Esses critérios ainda dependem de regulamentação.
A ideia, segundo o autor, deputado Nikolas Ferreira, é evitar que o paciente tenha que refazer na rede pública um exame que já pagou, o que atrasa tratamentos e gera gastos duplicados. A deputada Bia Kicis disse que a medida também evita que exames percam a validade e obriguem o paciente a pagar de novo do próprio bolso.
O governo chegou a se opor ao texto, com receio de que ele beneficiasse quem pode pagar e furasse a fila do SUS. Por isso, o relator, deputado Rodrigo Valadares, incluiu a exigência de que o SUS defina os padrões de qualidade. Ele também afirmou que a obrigatoriedade não impede o médico de pedir novos exames.
Atenção: o projeto ainda não é lei. Ele precisa ser analisado pelo Senado. Se os senadores mudarem o texto, ele volta para a Câmara. Se aprovarem sem alterações, ele segue para sanção do presidente da República. Até lá, continuam valendo as regras atuais nas unidades do SUS.
Reportagem, Sophia Muniz.