Brasil Mineral - Mineração·28 de abril de 2026

Estudo do CGEE aponta futuro no Brasil até 2040

Mais de uma década depois, terras raras voltam à agenda pública diante da reconfiguração geopolítica e da transição energética global.

Por Revista Brasil MineralEditada pela Signus Editora, desde 1984, é a principal publicação brasileira cobrindo todas as áreas relacionadas ao setor mineral: geologia, extração mineral, metalurgia e siderurgia.
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Foto: Brasil 61

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) realizou, dia 22 de abril, workshop dedicado à atualização do estudo prospectivo sobre terras raras no Brasil, com horizonte até 2040. A abertura do encontro foi conduzida pelo diretor-presidente do CGEE, Anderson Gomes, com participação dos diretores Connie McManus e Geraldo Nunes, reforçando o papel da instituição como articuladora de conhecimento estratégico voltado à formulação de políticas públicas em ciência, tecnologia e inovação. A iniciativa reuniu pesquisadores, especialistas e representantes de instituições estratégicas para discutir os desafios e as oportunidades relacionados ao desenvolvimento dessas cadeias produtivas no Brasil.

O workshop contou ainda com a palestra do professor Silvio Meira, do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar) e da TDS Company, duas instituições mais relevantes do País em inovação e tecnologia, que abordou aspectos estratégicos a serem incorporados ao estudo. Também participaram o diretor do Departamento de Programas de Inovação (Depin) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Osório Coelho Guimarães Neto, e equipe da pasta, além de Ronaldo Carmona, da Escola Superior de Guerra (ESG) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O evento marca um novo ciclo de atualização de um tema que já mobiliza o CGEE há mais de uma década. Em 2013, a instituição publicou o estudo Usos e aplicações de terras raras no Brasil: 2012–2030, elaborado a partir de demanda do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). À época, o objetivo foi estruturar uma agenda estratégica para o desenvolvimento dessas cadeias produtivas, incluindo a construção de cenários globais, a definição de um roadmap nacional e a identificação de direcionadores para setores como ímãs permanentes, catalisadores, ligas metálicas e fósforos.

Mais de uma década depois, terras raras voltam à agenda pública diante da reconfiguração geopolítica e da transição energética global. As terras raras são insumos essenciais para tecnologias como turbinas eólicas, veículos elétricos, equipamentos médicos, sistemas de defesa e dispositivos eletrônicos avançados. Nesse contexto, o workshop buscou atualizar diagnósticos, revisar estratégias e apontar caminhos para o fortalecimento da autonomia tecnológica brasileira. A programação refletiu a complexidade da cadeia produtiva e a necessidade de uma abordagem integrada. Entre os temas discutidos estiveram o cenário global e suas implicações para o Brasil, os principais atores e prioridades nacionais, além da construção de um novo roadmap estratégico para o período 2026–2040. Também foram abordadas etapas críticas da cadeia, como mineração, concentração, refino - incluindo a separação de óxidos por extração por solvente - e o desenvolvimento de aplicações industriais.

Especialistas convidados apresentaram direcionadores estratégicos para diferentes segmentos, como a produção de ímãs permanentes, catalisadores, ligas metálicas, fósforos e materiais para polimento e fabricação de vidros e lentes especiais. A agenda incluiu ainda discussões sobre economia circular e sustentabilidade, refletindo a crescente preocupação com o uso responsável desses recursos. A condução dos debates envolveu nomes como Fátima Ludovico, Fernando Landgraf, Fernando Lins, Mariele Bonfante, Juliano Engerroff e Wagner Macedo, entre outros especialistas com atuação reconhecida no tema.

Para o diretor-presidente do CGEE, a diversidade de participantes evidencia o esforço do Centro em articular competências científicas e institucionais para enfrentar um desafio que é, ao mesmo tempo, tecnológico, industrial e estratégico. “Esse esforço de articulação não é pontual. Ele se insere na missão histórica do CGEE de conectar produção científica, análise estratégica e tomada de decisão pública. Ao reunir pesquisadores, centros de pesquisa e atores institucionais, o Centro contribui para consolidar uma base de evidências capaz de orientar políticas públicas mais robustas e coordenadas. Entregaremos os resultados à ministra Luciana Santos [MCTI] e ao presidente Lula”, afirmou Anderson Gomes.

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) publicou nota técnica em dezembro de 2025, onde destacou que o Brasil detém cerca de 23% das reservas globais de terras raras, mas ainda não domina etapas de maior valor agregado, como refino, metalurgia e fabricação de ímãs permanentes. O documento aponta, ainda, a persistência de lacunas já identificadas em estudos anteriores do próprio CGEE, especialmente no que diz respeito à ausência de infraestrutura para escalonamento industrial. “Nesse cenário, a atualização do estudo prospectivo ganha importância estratégica. Ao revisar cenários, identificar gargalos e propor direcionadores, o trabalho contribui para alinhar políticas mineral, industrial, energética e de defesa, em um contexto de crescente disputa global por recursos críticos”, finalizou Gomes. A proposta do CGEE sinaliza um movimento de continuidade e aprofundamento de uma agenda de Estado, reforçando seu papel como espaço de construção coletiva de estratégias para o desenvolvimento nacional em ciência, tecnologia e inovação. O estudo ‘Usos e aplicações de terras raras no Brasil : 2012-2030 pode ser acessado clicando aqui.

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