Por Jalila Arabi
Em 2015, o Brasil já contava com 14,2% da população aposentada, seis pontos percentuais a mais do que em 1992 – 8,2%. Na região Norte, o número de idosos no início da década de 90 correspondia a 5,1% da população total, passando para 10,1% em 2015. As informações fazem parte do estudo divulgado neste mês pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisou o envelhecimento da população e os fatores que podem influenciar no déficit da Previdência, que, segundo o Governo, deve chegar a R$ 181,6 bi em 2017.
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O coordenador de Previdência Social do Ipea e autor do estudo, Rogério Nagamine, diz que o envelhecimento da população é algo a ser celebrado, mas que também é preciso ter cautela. “O envelhecimento já está tendo impacto e isso implica a necessidade de ajustes.” No estado de Tocantins, a situação previdenciária até 2015 era considerada estável, segundo o Instituto. Em um comparativo entre 2006 e 2015, a unidade federativa não apresentou déficit, junto com Amapá, Roraima e Rondônia. Mas em outros estados, como Santa Catarina e Rio de Janeiro, os gastos com aposentadorias comprometeram quase 20% de toda a receita estadual.
Aposentadoria precoce
O aspecto positivo dos dados, segundo Nagamine, é que um ajuste pode ser feito. “Uma saída é eliminar o que a gente chama de componentes regressivos no sistema previdenciário, como a aposentadoria precoce.” De acordo com o estudo, a idade média de aposentadoria no ano passado foi de 54 anos. Para Nagamine, o trabalhador nessa faixa etária ainda está em condições de trabalhar. “O problema maior é uma distorção que eu acho conceitual, que é, na verdade, você estar pagando um benefício de aposentadoria para pessoas que estão em plena capacidade laboral e que, muitas vezes, continuam trabalhando.”
O especialista em finanças Marcos Melo concorda e complementa: “Hoje em dia, com 55, 60 anos você ainda está com grande produtividade. As pessoas estão considerando a previdência como um prêmio”, diz. O estudo do Ipea defende a introdução de uma idade mínima para aposentadoria no Brasil, que hoje não existe. Se aprovada, a reforma da Previdência, proposta pelo Governo, sugere 65 anos para os homens e 62 para as mulheres até 2038.
Norte
O número de pessoas com 60 anos ou mais em Tocantins passou de 130 mil em 2012 para 171 mil no ano passado. Segundo o IBGE, os homens nessa idade são maioria no estado, com 86,3 mil. O estudo traz a informação de que na região Norte o número de beneficiados com aposentadorias entre 1992 e 2015 foi de 3,2% para 6,8%.
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