Por Juliana Gonçalves
O Brasil deveria aproveitar a capacidade educacional de instituições como o SENAI para transmitir os conhecimentos adquiridos para secretarias estaduais de educação. A avaliação é de Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV.
Na visão dela, o Brasil deveria seguir o exemplo de outros países, que aproveitaram a experiência da indústria para embasar o ensino médio integrado.
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“Há exemplos internacionais como as escolas secundárias da Coreia do Sul em que o setor privado, a indústria, inclusive a indústria de ponta, participou não só do desenho instrucional de cursos de Ensino Médio, mas mesmo da gestão desses cursos com uma parceria público privada que gerou altíssima empregabilidade em setores interessantes para os jovens”, analisou.
O SENAI capacitou mais de 73 milhões de brasileiros, desde 1942, em cursos profissionalizantes em todo o Brasil. Mas a instituição acaba trazendo ex-alunos para dentro do SENAI como professores.
Um deles foi Julio Barbosa, 32 anos, que estudou no SENAI e hoje trabalha na instituição. Em 2003, ele procurava cursos que o capacitassem tecnicamente para iniciar a carreira profissional. Foi aí que iniciou o curso de tecnologia da informação.
Se destacando, ele participou da Olimpíada do Conhecimento e ganhou a chance de representar o país na etapa internacional. Em 2005, Julio ficou em quarto lugar no campeonato de tecnologia da informação na Finlândia.
Julio destaca a importância do SENAI na vida dele. Além de estar trabalhando hoje na instituição como analista de sistemas, passou por outras importantes empresas multinacionais.
“O SENAI representa uma escola moderna. Ela agrega valor, e eu acredito que ele ultrapassa a formação regular que nós temos no ensino médio, ensino superior. Ele te dá acesso à tecnologia, ele te dá acesso à profissionais altamente capacitados, que conseguem se orientar e ensinar e que encaminhar a um mercado de trabalho com o máximo de potencial que você pode ter. O SENAI, para mim hoje, é a melhor escola que poderia buscar para ingressar no mercado profissional”, ressalta.
Cortes
Em dezembro do ano passado, o atual governo anunciou a intenção de reduzir o envio de recursos financeiros que chegam ao Sistema S. Como o SESI e o SENAI fazem parte desse pacote, membros dessas instituições destacam que há um risco de as atividades do grupo reduzirem na mesma proporção.