Internacional·15 de fevereiro de 2019

Espanha terá novas eleições parlamentares 10 meses após posse de primeiro-ministro

Pedro Sánchez perdeu apoio no parlamento após rejeição de pacote econômico; novas eleições foram marcadas para abril

Por Cristiano GhorgomillosCristiano Ghorgomillos é jornalista experiente na cobertura política no Congresso Nacional. É responsável pela produção de matérias sobre o dia a dia das comissões temáticas e da atuação dos parlamentares nos plenários do Senado e Câmara dos Deputados. @ghorgomillos
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O primeiro ministro da Espanha, Pedro Sánchez, convocou eleições para a composição de um novo Congresso Nacional, em abril. O anúncio do premier foi feito nesta sexta-feira (15).

Na Espanha, o regime parlamentarista permite que o primeiro-ministro convoque novas eleições no Legislativo, caso perca o apoio da maioria dos congressistas.
Pedro Sánchez é do Partido Socialista Operário e chegou ao poder em junho do ano passado. Essa será a terceira eleição do Legislativo espanhol nos últimos quatro anos.

Na quarta-feira (13), o Parlamento espanhol rejeitou projeto de orçamento proposto pelo governo de Pedro Sánchez. A derrota no Legislativo “forçou” o primeiro ministro a convocar novas eleições.

A medida é reflexo da crise política que a Espanha enfrenta desde 2017, quando separatistas declararam a Catalunha território independente.
Na época, o país era comandado por Mariano Rajoy, do Partido Popular, de centro-direita.

Durante a crise, Rajoy decretou intervenção no governo da Catalunha. A medida foi considerada exagerada pela oposição. A população se manifestou em várias oportunidades e a crise econômica se agravou.  

A turbulência diminuiu quando um acordo entre os dois maiores partidos do país selou a realização de eleições para escolha de um novo primeiro-ministro.
O congresso eleito escolheu o socialista Pedro Sanchez para ser o primeiro ministro, mas ele não conseguiu, até agora, manter uma base forte no parlamento.

“A crise política depois que o PP, Partido Popular, caiu do poder, os socialistas assumiram, mas não conseguiram manter uma maioria, uma coalisão de apoio constante no Parlamento. Mas o problema é o desentendimento político”, analisa David Fleischer, Especialista em Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB).

A crise política se agravou na Espanha porque partidos pequenos ganharam força no Congresso e, com isso, o governo passou a ter dificuldades para formar maioria no Parlamento.

A aprovação do pacote econômico de Sánchez, por exemplo, dependia do apoio dos partidos pequenos, como O Vox, de extrema direita; Podemos, grupo contra austeridade econômica, e Ciudadanos, de discurso liberal.

“Esse fenômeno de novos partidos à direita, de ultradireta, é uma nova tendência na Europa. Claro, o primeiro ministro vai fazer campanha para tentar eleger uma maioria mais forte, mais confiável. Mas, com todas essas divisões em partidos pequenos, eu não sei se isso vai acontecer em abril ou não. Vamos ter de esperar para ver. É possível, mas eu não tenho fé não”, acredita David Fleischer.

A crise política entorno do governo de Pedro Sánchez piorou, ainda mais, por causa de duas reuniões realizadas com líderes separatistas da Catalunha.
O gesto não foi aceito de forma positiva entre os defensores da unidade da Espanha. Grandes manifestações populares voltaram às ruas da capital Madrid.

Além disso, as tensões políticas aumentaram porque o julgamento dos separatistas presos durante o levante da Catalunha, em 2017, começou nesta semana, nos tribunais do país.
 

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A crise política entorno do governo de Pedro Sánchez piorou, ainda mais, por causa de duas reuniões realizadas com líderes separatistas da Catalunha.

O gesto não foi aceito de forma positiva entre os defensores da unidade da Espanha. Grandes manifestações populares voltaram às ruas da capital Madrid.

Além disso, as tensões políticas aumentaram porque o julgamento dos separatistas presos durante o levante da Catalunha, em 2017, começou nesta semana, nos tribunais do país.

Reportagem, Cristiano Carlos
 

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Cristiano Ghorgomillos

Cristiano Ghorgomillos é jornalista experiente na cobertura política no Congresso Nacional. É responsável pela produção de matérias sobre o dia a dia das comissões temáticas e da atuação dos parlamentares nos plenários do Senado e Câmara dos Deputados. @ghorgomillos