
Por Camila Costa
O que tem sido feito para reduzir os afastamentos nos mais diversos ambientes de trabalho? Para evitar doenças e acidentes entre os trabalhadores e proporcionar um lugar mais seguro e produtivo de trabalhar? No estado do Espírito Santo, ações do setor produtivo estão levando informações para cidades mais distantes para que o trabalhador também possa ajudar nesse processo, se cuidando melhor.
Quanto menos profissionais doentes e/ou ausentes, maior a produção e a competitividade da empresa, afirmam especialistas. De acordo com o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho de 2017 da Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, o Espírito Santo registrou cerca de 14 casos de acidentes do trabalho em 2016 para cada grupo de mil vínculos empregatícios. O número é menor do que o registrado há três anos, quando o estado alcançou quase 16 casos.
Diretor de Saúde e Segurança na indústria do SESI Espírito Santo, Júlio Augusto Zorzal dos Santos, detalha quais tipos de ações têm contribuído para a queda dos afastamentos no estado. Um dos engajamentos está no estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Propostas da Indústria para as eleições 2018 - Modernização Previdenciária e da Segurança e Saúde no Trabalho: ações para avançar.
O setor produtivo propõe que a legislação permita metas vinculadas à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), a resultados em saúde e segurança do trabalho. Entre as diversas metas já estabelecidas para fins de PLR, a de melhoria de resultados em segurança e saúde no trabalho vinham obtendo resultados efetivos na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, ao despertar, nos empregadores e nos empregados, conforme avaliado por diversas empresas que estabeleceram essa meta.
Confira entrevista:
O que tem sido feito no estado para prevenir e reduzir os afastamentos do trabalho?
Júlio Augusto Zorzal dos Santos: Este ano, nós buscamos um alinhamento com a estratégia que foi implementada pelo departamento nacional junto com os departamentos regionais na qual foi aprovada no final do ano passado e que, aqui no estado, se resume em três pilares que estamos atuando. Um pilar estratégico da inovação e saúde em segurança do trabalho; o segundo pilar na gestão da saúde e segurança do trabalho, e da promoção da saúde do trabalhador e o terceiro pilar, de serviços básicos de saúde e segurança do trabalho.
E quais ações foram desenvolvidas em cima desses pilares?
Júlio Augusto Zorzal dos Santos: Quando a gente foca nesses três pilares, nós começamos a desenvolver algumas ações. Vou começar pela inovação. Realizamos no mês de fevereiro deste ano, uma semana da inovação no estado do Espírito Santo, voltada para saúde e segurança do trabalho. Tivemos a presença de 15 empresas da região, durante dois dias, e tivemos a participação de todos centros de inovação. E tivemos a participação de oito Centros de Inovação do SESI, distribuídos pelos departamentos regionais no Brasil. Dois dias do trabalho, workshop, conseguimos levantar 41 ideia levantadas de saúde e segurança no trabalho. Conseguimos trabalhar com as empresas a importância da inovação nessa área de conhecimento da saúde e segurança do trabalho.
E sobre gestão?
Júlio Augusto Zorzal dos Santos: Começamos este ano intensamente uma sequência de seminários em atendimento ao eSocial. Na qual nós apresentávamos o objetivo da plataforma do Governo Federal, que tem como objetivo o envio de informações relacionadas a saúde e segurança no trabalho; informações relacionadas aos recursos humanos, contábil, das empresas no país. E como essas informações deveriam ser encaminhadas e como poderiam ser impactadas caso tivesse gestão de saúde e segurança no trabalho. Tivemos ao longo deste ano oito seminários, que aconteceram em diversas cidades, com a participação de 840 pessoas, acompanhando essa atualização recente do eSocial.
Essas ações são suficientes para justificar essa redução?
Júlio Augusto Zorzal dos Santos: Claro que alguns desses números, da redução, também é influenciado com a questão do desemprego no país, a crise que o país passa, mas a gente percebe muito fortemente que as empresas estão engajadas justamente na promoção desse ambiente saudável e seguro. Acredito que os números que surgem, dessa redução que é percebida, tem muita influência dessas ações que as empresas têm desenvolvido.
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