Economia·22 de agosto de 2018

ENTREVISTA: Candidato pelo MDB ao Planalto, Henrique Meirelles aponta corte nos gastos como saída para recuperar economia

<p>Ex-presidente do Banco Central nos oito anos de governo Lula sobre as reformas da Previd&ecirc;ncia e Tribut&aacute;ria</p>

Por Agência do Rádio
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Olá, ouvinte. Vamos conversar hoje com o candidato à presidência da República pelo MDB, Henrique Meirelles. Goiano de Anápolis, Meirelles é economista, com carreira no mercado financeiro e na administração pública. Em 2002, foi eleito o deputado federal mais votado de Goiás. Foi presidente do Banco Central nos dois governos do ex-presidente Lula. Nessa ocasião, tomou algumas medidas que fizeram com o que as despesas do Governo Federal ficassem sob controle, o que permitiu ao brasileiro ter mais dinheiro e mais qualidade de vida.Acesse esta matéria na versão para blogs e sites

Caso seja eleito, o que o senhor pretende fazer para que o brasileiro volte a ter poder de compra? Como equilibrar as contas do governo para que o Estado seja mais eficiente para todos?

“Tenho três focos fundamentais nos primeiros 100 dias de governo. Primeiro é a reforma tributária, a reforma da Previdência e um choque de produtividade no Brasil. Em alguns anos, nós vamos chegar a 100% do orçamento da União para pagar aposentadoria, o que é evidentemente uma inviabilidade prática.”

E o que o senhor mudaria nas regras da aposentadoria?

“A Previdência é injusta. Poucas pessoas se dão conta de que a grande maioria das pessoas que se aposentam mais jovens – isto é –, por tempo de contribuição, não chegam à idade de 60 anos para mulheres, 65 anos para homens, porque completaram os 35 anos de contribuição. Essas pessoas – 70% delas – são os 20% que ganham mais no país, porque os que ganham menos não conseguem completar os 35 anos de contribuição com carteira assinada. Portanto, para se controlar as despesas, nós temos que resolver o problema dessas altas aposentadorias que também são injustas.”

Hoje, os brasileiros, tanto os cidadãos comuns quanto os empresários, pagam “um mundo” de impostos. O que fazer para diminuir essa carga de taxas que só faz aumentar?

“É absolutamente fundamental que não podemos deixar de lado o fato de que a carga tributária no Brasil é elevada. Hoje, é a maior entre os países emergentes. Agora, como é que nós vamos fazer para cortar essa carga considerando-se que, hoje, nós já temos um déficit previsto para esse ano de R$ 159 bilhões primário, isto é, sem juros? É uma inviabilidade prática. Então, para equilibrar isso, nós só temos uma solução: tem que cortar despesa, ponto final. Não tem outra solução.”

E como o senhor resolveria isso?

“Para cortar despesa, precisamos mudar a Constituição. Para mudar a Constituição, nós vamos precisar de fato de um presidente da República comprometido com essas mudanças, porque é muito fácil ser populista, prometer fantasias: ‘Vamos fazer isso, vamos dar benefícios, vamos fazer aquilo’. Mas não têm a menor ideia do que estão falando. Isso é grave, porque o Brasil já atingiu uma situação crítica. E nós precisamos de alguém que tenha responsabilidade, alguém que fale a verdade e que tenha condições e resultado concreto para mostrar para que de fato nós possamos não só ter tirado o Brasil da maior recessão da história, mas continuar a crescer.”

Conversamos com o candidato do MDB à presidência Henrique Meirelles, que falou um pouco sobre aposentadoria, cortar despesas do Governo e da responsabilidade no trato da coisa pública. Ficamos por aqui, até a próxima!

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