Meio Ambiente - Mudanças climáticas·04 de setembro de 2026

El Niño muito forte tem 90% de chance de ocorrer entre setembro e novembro

Fenômeno pode elevar temperaturas, atrasar chuvas e aumentar o risco de queimadas no Brasil

Por Bianca MingoteBianca Mingote é jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência em cobertura do Congresso Nacional, saúde, economia e política. Atuou como repórter na Secom (UnB), no Correio Braziliense (CB) e na Rádio Senado. Também foi trainee do CB no Curso Jornalismo na Prática, com foco na cobertura de saúde do Brasil. É repórter do Brasil 61 desde 2024.
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Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil·Foto: Brasil 61

De setembro a novembro, o Brasil tem 90% de probabilidade de enfrentar um episódio de El Niño muito forte. A previsão é do Centro de Previsão Climática, da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (CPC/NOAA), divulgado no início de agosto de 2026. Segundo boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com outras instituições, a previsão indica temperaturas acima da média em quase todo o país. 

Há possibilidade de chuvas que superem a média histórica na Região Sul e de um trimestre mais seco nas regiões Norte e Nordeste.

O Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026-2027 aponta que a combinação de calor e estiagem prolongada nas regiões Central e Norte do país pode implicar em um problema adicional: as queimadas. Conforme o boletim, o cenário aumenta o potencial de propagação de queimadas, especialmente se o início da estação chuvosa atrasar – o que, segundo o Inmet, já é considerado provável.

A publicação é realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em parceria com o Inmet, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

El Niño intenso pode atrasar chuvas 

O boletim também informa que, geralmente, o trimestre  marca a transição da seca para o período chuvoso na Amazônia Legal e no Pantanal. No entanto, diante de um El Niño mais intenso e prolongado, pode existir atraso neste processo. 

Segundo o instituto, projeções do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam chuvas abaixo da média em nove estados, sendo: Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas, Acre, norte de Mato Grosso e nas porções norte e central do Tocantins e Rondônia. O fenômeno também deve impactar as temperaturas, que devem ficar acima da média em toda a região.

Na prática, isso pode prolongar as condições típicas de estiagem durante parte da primavera, mantendo o solo mais seco e a vegetação mais suscetível ao fogo por mais tempo do que o habitual.

O alerta dos pesquisadores da NOAA é de que, historicamente, eventos de El Niño mais intensos não significam automaticamente impactos mais severos. Mas aumentam a probabilidade de que ocorram.

Em nota, o Inmet reforçou a necessidade de monitoramento contínuo das condições meteorológicas nas próximas semanas, tanto em escala de curto prazo quanto sazonal, com o objetivo de identificar as áreas mais vulneráveis a secas, ondas de calor e episódios de chuva intensa com antecedência.

O Brasil tem 90% de probabilidade de enfrentar um episódio de El Niño muito forte entre setembro e novembro. A previsão é do Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e foi destacada em boletim do Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet.

Segundo o documento do Inmet, as temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país. A Região Sul pode registrar chuvas acima da média histórica, enquanto as regiões Norte e Nordeste podem ter um trimestre mais seco.

Na Amazônia Legal, a previsão é de chuvas abaixo da média em nove estados, sendo Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas, Acre, norte de Mato Grosso e nas áreas norte e central do Tocantins e Rondônia.  As temperaturas também devem ficar acima da média em toda a região.

O cenário preocupa porque o El Niño mais intenso pode atrasar o início da estação chuvosa na Amazônia Legal e no Pantanal. Na prática, a estiagem pode se prolongar durante parte da primavera, deixando o solo mais seco e a vegetação mais suscetível às queimadas.

O boletim alerta, ainda, que eventos de El Niño mais intensos não significam necessariamente impactos mais severos. No entanto, eles aumentam a probabilidade de ocorrência desses eventos.

O Inmet reforça a necessidade de monitoramento contínuo das condições meteorológicas para identificar, com antecedência, áreas mais vulneráveis a secas, ondas de calor e episódios de chuva intensa.

Com informações do Inmet, Bianca Mingote
 

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Sobre a repórter

Bianca Mingote

Bianca Mingote é jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência em cobertura do Congresso Nacional, saúde, economia e política. Atuou como repórter na Secom (UnB), no Correio Braziliense (CB) e na Rádio Senado. Também foi trainee do CB no Curso Jornalismo na Prática, com foco na cobertura de saúde do Brasil. É repórter do Brasil 61 desde 2024.