Tempo - Mudanças climáticas·06 de novembro de 2026

El Niño atinge intensidade muito forte e registra anomalia recorde de +2,47°C em outubro

Dados do INMET apontam maior aquecimento para outubro na série histórica, enquanto índice da NOAA confirma a intensidade do fenômeno e indica sua persistência até janeiro de 2027

Por Viviane BessaViviane Bessa é estudante de Jornalismo e repórter estagiária do Brasil 61, com atuação na apuração e produção de conteúdo jornalístico sobre temas de interesse público, incluindo política, economia, saúde e agronegócio.
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Imagem: Reprodução/INMET·Foto: Brasil 61

O fenômeno El Niño atingiu a categoria de intensidade muito forte, com temperaturas recordes na superfície do Oceano Pacífico. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mostram que a região Niño 3.4 registrou, em outubro de 2026, uma anomalia média de +2,47°C, o maior valor para o mês na série histórica do órgão. Na última semana de outubro, o desvio chegou a +2,5°C.

A classificação de intensidade muito forte também foi confirmada pelo índice utilizado pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA). No trimestre de agosto a outubro de 2026, o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI) alcançou +2,0°C, patamar que marca o início dessa categoria.

O RONI mede o quanto a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial, está acima da média histórica. O cálculo também considera as temperaturas dos demais oceanos tropicais, descontando o efeito do aquecimento global. Dessa forma, o índice permite avaliar o aquecimento específico do Pacífico em relação ao restante da faixa tropical.

A NOAA utiliza uma média móvel de três meses consecutivos para classificar a intensidade do fenômeno. Assim, a cada atualização, a janela de análise avança um mês. Em previsão divulgada em outubro, o Centro de Previsão Climática da agência estimou em 96% a probabilidade de o El Niño permanecer na categoria muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Os recordes também aparecem em outras áreas de monitoramento do Pacífico Equatorial. Na região Niño 3, a anomalia média mensal de outubro chegou a +3,56°C. Já na última semana do mês, o desvio semanal alcançou +3,7 °C, superando o recorde anterior para esse indicador, de +3,6°C, registrado em dezembro de 1982.

Na região Niño 1+2, próxima à costa do Peru e do Equador, a anomalia semanal chegou a +4,6°C na última semana de outubro, igualando o valor registrado em junho de 1983. O meteorologista Leydson Dantas ressalta, porém, que comparações entre indicadores semanais e mensais exigem cautela, já que consideram períodos de referência diferentes.

O atual episódio de El Niño começou a se configurar em junho de 2026, com elevação gradual das temperaturas do Pacífico nos meses seguintes. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) considera possível que o fenômeno esteja entre os mais intensos já registrados.

O aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação atmosférica e interfere nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos variam conforme a região. Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, a previsão do INMET indica maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul e em áreas do Sudeste e Centro-Oeste.

Por outro lado, a tendência é de chuvas abaixo da média na maior parte da Região Norte e em áreas do Nordeste. As temperaturas também devem ficar acima da média em grande parte do território nacional.

Alerta do Cemaden aponta risco de seca no Norte e Nordeste

Um alerta do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta que o fortalecimento do El Niño aumenta o risco de estiagens e secas prolongadas no semiárido nordestino e na Bacia Amazônica. Segundo a instituição, os impactos podem atingir o abastecimento de água e as atividades produtivas, com possibilidade de persistência até 2027.

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O fenômeno El Niño atingiu a categoria de intensidade muito forte em outubro de 2026, com recorde de aquecimento na região Niño 3.4, no Oceano Pacífico Equatorial.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a temperatura da superfície do mar nessa região ficou, em média, 2,47 graus Celsius acima da média histórica. É o maior valor registrado para o mês de outubro na série histórica do órgão.

Pela metodologia da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, dos Estados Unidos, o fenômeno também alcançou um nível muito forte. No trimestre de agosto a outubro, o Índice Oceânico Niño Relativo chegou a 2 graus Celsius. A NOAA estima em 96% a probabilidade de o El Niño permanecer nessa categoria entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

O aquecimento do Pacífico altera a circulação atmosférica e influencia os padrões de chuva e temperatura no Brasil. A previsão indica maior volume de chuva na Região Sul e em áreas do Sudeste e Centro-Oeste. Já no Norte e em parte do Nordeste, a tendência é de precipitação abaixo da média, com risco de estiagens e secas prolongadas até 2027, segundo alerta do Cemaden.

As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia. 

Reportagem, Viviane Bessa.

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Sobre a repórter

Viviane Bessa

Viviane Bessa é estudante de Jornalismo e repórter estagiária do Brasil 61, com atuação na apuração e produção de conteúdo jornalístico sobre temas de interesse público, incluindo política, economia, saúde e agronegócio.