Por Paulo Henrique Gomes
Cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos no ano passado foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. Dessa forma, a educação profissional é uma das saídas para combater o desemprego, que tem atingido níveis recordes no Brasil, principalmente, entre os jovens.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) 2017, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 27,7% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos estavam desempregados no Ceará. O número é 136% superior ao índice de desemprego total do estado, que é de 11,7%.
De acordo com o IBGE, em 2016, 32,4% dos jovens de 16 a 29 anos de idade não estudavam e nem trabalhavam no Ceará. O índice é o terceiro maior do país. Segundo o Gerente Executivo de Estudos e Prospectiva da CNI, Márcio Guerra, a educação profissionalizante possui papel fundamental para a inserção no mercado de trabalho.
“A educação profissional tem um papel fundamental, não só para os jovens, mas para todo aquele cidadão que quer ingressar no mercado de trabalho. Ela pode ser considerada um caminho mais curto. Porque é um caminho mais curto e mais democrático. Todo mundo pode acessar. Você tem uma variedade de cursos. Você tem cursos de qualificação aonde o requisito de escolaridade é menor, não existe nenhum impedimento de faixa etária. Você tem cursos técnicos e cursos que fazem com que a chance de ingressar no mercado de trabalho acabe aumentando”, afirma.
Dificuldades parar contratar
Segundo pesquisa publicada pela Fundação Dom Cabral, em 2016, 40% das empresas que se deparam com problemas na hora da contratação apresentam dificuldades para encontrar profissionais qualificados de nível técnico. Esses dados confirmam a opinião da Gerente de Educação Básica e Profissional do SESI E SENAI do Ceará.
“No Brasil, já tivemos épocas em que existiu uma valorização muito grande do técnico. Voltou novamente, depois, na década de 2000, para a questão da academia, do acesso a uma universidade. Mas o que a gente tem observado: tem uma constante demanda pela educação técnica profissionalizante”, defende.
Remuneração
De acordo com uma pesquisa realizada pela PUC-Rio, entre dois indivíduos com a mesma escolaridade, aquele que optou pela educação profissional terá 21,7% a mais de renda na região Nordeste.
Dados do Centro Europeu de Desenvolvimento da Formação Profissional revelam que, na Áustria e na Finlândia, países com grande tradição nesse aspecto, o percentual de jovens que cursam itinerários vocacionais é de cerca de 70%. Em países como Alemanha, Dinamarca, França e Portugal, essa participação excede os 40%.