Educação·30 de agosto de 2018

Educação Básica no Piauí precisa avançar para atender demanda do mercado

<p>Para especialista, h&aacute; um d&eacute;ficit de m&atilde;o de obra qualificada que poderia ser suprido com uma melhor prepara&ccedil;&atilde;o do jovem ainda na base escolar</p>

Por Agência do Rádio
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Por Marquezan Araújo

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que o setor industrial responde por aproximadamente 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do Piauí. Ao lado de outros segmentos, a construção, os serviços industriais de utilidade pública e os alimentos respondem por 89,9% da indústria do estado.

Em relação à empregabilidade, as informações do Cadastro Geral de Empregado e Desempregado (Caged), mostram que as atividades ligadas ao setor industrial tiveram um bom desempenho no Piauí, em julho de 2018. A indústria de Transformação, os serviços industriais de utilidade pública e a extrativa mineral, por exemplo, mais contrataram do que demitiram no último mês.

Para o gerente-executivo de Estudos e Prospectiva da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Márcio Guerra, a marca é animadora, mas a situação ainda não garante um conforto diante da crise atual que passa o país. De acordo com ele, ainda há um déficit de mão de obra qualificada que poderia ser suprido com uma melhor preparação do jovem já na Educação Básica.

Com base em estudo da CNI, Guerra afirma que a falta de qualidade na Educação Básica brasileira é um problema antigo e que atrapalha o ingresso do jovem no mercado de trabalho. “Apesar de a educação colocada hoje passar por uma possibilidade de reforma, ela ainda é pouco conectada com os reais problemas do mercado de trabalho”.

De acordo com o balanço, que faz parte de um grupo de propostas apresentadas aos candidatos à Presidência da República para as eleições deste ano, o Brasil conseguiu praticamente universalizar o acesso ao Ensino Fundamental. Em 2015, por exemplo, 97,7% da população de 6 a 14 anos estava matriculada nesse nível de escolarização. Contudo, Guerra explica que isso ainda não é o suficiente.

“Nós tivemos um processo de universalização da educação do Brasil, mas quando olhamos as taxas de produtividade, percebemos que a educação não fez transformações na área, muito por causa da baixa qualidade que se tem”, disse.

Naquele ano, cerca de 1,5 milhão de jovens com idade entre 15 a 17 anos deveriam estar cursando essa etapa da formação educacional, no entanto, encontravam-se fora da escola.

Ensino Superior

Para o pesquisador do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), Jairo Eduardo Borges, os cursos superiores e a educação profissional precisam ser modalidades complementares. Ou seja, uma não anula a outra, mas sim, “há aqui uma junção da teoria e da prática que podem ser pontos determinantes na hora de conseguir um emprego”.

Porém, vistas de pontos separados, o professor ressalta que “pessoas que têm mais qualificação profissional, têm mais probabilidade de conseguir um trabalho e também de conseguir trabalhos melhores”. Ainda segundo ele, “ter um nível de escolaridade superior não vai necessariamente garantir emprego.”

Educação técnica e profissional

Segundo consta no último balanço do Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC), no Nordeste, meio milhão de pessoas procuram se especializar em alguma área através de um curso técnico ou de educação profissional.

Diante disso, a diretora de educação profissional e tecnológica do SENAI-PI, Sandra Ataíde, afirma que a demanda por parte das empresas também é grande em relação ao profissional de nível técnico.

Além disso, a especialista ressalta que com essa capacitação, a pessoa “tem mais chance de entrar no mercado de trabalho e, dependendo da situação, ganhar um salário melhor do que quem optou apenas por um curso superior.”

“O diferencial é que esse jovem, quando conclui o curso, já está preparado para ingressar no mercado de trabalho. Porque os cursos são atualizados de acordo com os itinerários formativos a nível nacional e atendem exigências das empresas por esses profissionais”, diz Sandra.

A pesquisa divulgada pela CNI também revela que apenas 11,1% dos alunos do Ensino Médio estão cursando Educação Profissional. Embasada em dados do Centro Europeu de Desenvolvimento da Formação Profissional, a Confederação revela que em países com grande tradição nesse modelo, como Áustria e Finlândia, a taxa de jovens que cursam itinerários vocacionais é de cerca de 70%.
 

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