Que a doação de órgãos é, muitas vezes, a única esperança para milhares de pessoas, muitos sabem. Mas, ainda é desconhecido o fato de a família ter que ser comunicada sobre a intenção de doar. No final das contas é o ‘sim’ dos familiares que importa para salvar até oito vidas. Alexandre Barroso, publicitário de 56 anos, três vezes transplantado, hoje viaja o Brasil com o projeto Jornada Asas do Bem, para informar as pessoas sobre essa obrigatoriedade.
“O transplante de fato é o renascimento. A única forma de ser doador hoje é conversar com sua família, avisar a sua família que você é doador e que você quer ser doador, porque quem vai ter que autorizar. E a lei hoje no Brasil é assim: só quem faz a doação são os familiares”.
As palestras de Alexandre são organizadas pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas. Avianca, Azul, Gol e Latam, juntas, transportam gratuitamente, em voos comerciais, órgãos, tecidos, equipes médicas e outros insumos necessários para o funcionamento do Sistema Nacional de Transplantes. Para Alexandre, além do setor privado, a sociedade também precisa se engajar nas campanhas.
“A campanha de doação de órgão precisa sair um pouco da mão do Estado. Eu acho que o Estado faz a parte dele. Há muito que se fazer ainda. Os hospitais, os médicos, os enfermeiros são uns anjos que nos atendem e já fazem. O Ministério faz um trabalho muito sério. Mas, eu acho que é hora da sociedade trazer pra si um pouco dessa competência”.
Só no primeiro trimestre deste ano, as empresas áreas transportaram 87% dos órgãos ou tecidos doados, em 1.091 voos. Além delas, a Força Área Brasileira também reforça o transporte de órgãos e tecidos, levando esperança para as mais de 34 mil pessoas na fila de transplantes.
Reportagem, Erika Braz