Os acidentes de trabalho na indústria de transformação do Distrito Federal caíram de forma significativa entre os anos de 2015 e 2017, de acordo com o anuário estatístico, divulgado pela Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda.
No período, as ocorrências tiveram queda de 42% nas indústrias responsáveis por fabricação de móveis, 47% nas fabricantes de cimento e 77% nas indústrias responsáveis pela fabricação de produtos de metais. No setor de infraestrutura do DF, nas atividades de construção de tirantes, obras de contenção e terraplanagem, a diminuição no número de acidentes de trabalho caiu 100%.
Já em todos os setores do mercado formal do Distrito Federal, para cada grupo de mil contratos trabalhistas ativos, foram registrados pouco mais de nove acidentes, nos anos de 2016 e 2017. O número representa queda de 17% nas ocorrências, em comparação com os dados divulgados pelo Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho 2014, quando pouco mais de 11 acidentes de trabalho foram registrados, em cada grupo de mil contratos trabalhistas, no DF.
Para especialistas da área, esforço das indústrias na prevenção e promoção da segurança e saúde do trabalhador beneficia a cadeia produtiva com a diminuição das ocorrências de acidentes, o Estado com a redução de pagamentos de benefícios e o trabalhador com aumento de qualidade de vida e bem-estar, como explica a Coordenadora de Segurança e Saúde na Indústria, do SESI-DF, Fabiana Soares.
“Às vezes, os empresários têm custos muito altos com o afastamento dos trabalhadores e quando investem na promoção da saúde, visam diminuir esse afastamento, aumentar a produtividade dos trabalhadores. Então, com certeza, investir em saúde e segurança no trabalho não posso nunca dizer que é prejuízo.”
Dados do Serviço Social da Indústria, o SESI, mostram que as indústrias e empresas nacionais investiram mais de R$ 28 bilhões, apenas com a Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho, e cerca de 88% das empresas do país realizam programas de promoção da segurança no trabalho, com investimentos maiores que o mínimo exigido pelas normas vigentes.
Para Fabiana Soares, as indústrias devem continuar a investir em ações de segurança e saúde do trabalhador para garantir que as taxas de acidentes continuem a cair no Distrito Federal.
“Nós, realmente, acreditamos que é possível diminuir custos para as empresas e melhorar os resultados. Com certeza, a gestão dessas informações em saúde e segurança na indústria é que vão favorecer esses resultados, até porque, o fato de cumprir a legislação já é um sinal da necessidade de cuidar dos trabalhadores.”
A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, publicou o estudo “Modernização Previdenciária e da Segurança e Saúde no Trabalho”, que faz parte de um conjunto de 43 propostas que foram entregues aos candidatos à presidência da República.
Entre as Propostas da Indústria para as Eleições 2018, está a inclusão de metas em saúde e segurança do trabalho na participação nos lucros e resultados das empresas; o acesso à Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) por meio eletrônico; modernização do sistema de pagamentos de benefícios e que as empresas participem da perícia médica do INSS, entre outras.
Reportagem, Cristiano Carlos