Meio Ambiente·22 de julho de 2019

Dispensa de licenciamento para atividades agrícolas pode incentivar adesão ao CAR, defende presidente da FPA

Nova regra foi sugerida em parecer do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), relator do grupo de trabalho de licenciamento ambiental na Câmara

Por Sara RodriguesSara iniciou a carreira jornalística como estagiária da Agência do Rádio, em 2014. Foi repórter da UnBTV durante 1 ano e 6 meses e retornou para a redação da ARB como repórter. É responsável pela coluna Diversão em Pauta, e cobre Política Internacional.
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O presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), defende que a condição de dispensa de licenciamento ambiental para atividades agrícolas e pastoris pode incentivar a adesão de produtores ao Cadastro Ambiental Rural (CAR). Esse requisito foi incluído no texto final do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), relator do grupo de trabalho que discutiu a nova lei de licenciamento ambiental (PL 3.729/2004).

Apesar de o cadastro ser obrigatório para todos os proprietários rurais como forma de controle, monitoramento e combate ao desmatamento, o parlamentar gaúcho aponta que muitos produtores estão em situação irregular. Segundo o boletim informativo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de maio deste ano, 397,8 milhões de hectares ainda estão passíveis de cadastro. 

Por isso, na avaliação de Moreira, é necessário que a nova legislação de licenciamento seja clara ao definir se a adesão ao CAR é obrigatória ou facultativa. “O que nós não podemos é ter qualquer tipo de regulação que seja uma exigência para uns e não para outros. Se os produtores não tiverem isso, eles vão ter dificuldades imensas para fazer o licenciamento ambiental porque vão ter que fazer cada vez que utilizam o solo”, ponderou.

Para Bartolomeu Braz Pereira, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), a mudança na legislação proposta por Kataguiri é positiva para o trabalhador rural, uma vez que o CAR “já colhe as informações necessárias para a concessão da licença ambiental”.

“Não podemos deixar o país com ideologia e com pessoas que acham que são donas do poder, fazendo com que o produtor vá às secretarias ambientais mais de uma vez. Às vezes, demora dois anos para conseguir uma simples licença de uma limpeza de passagem, uma licença para supressão, que é uma coisa muito simples”, critica.

Modernização

Relator do grupo de trabalho de licenciamento ambiental, Kim Kataguiri afirma que o novo marco regulatório está pronto para ser votado na Câmara dos Deputados. Além da dispensa de licenciamento para atividades agrícolas e pastoris, em caso de validação do CAR, o texto prevê mudanças que modernizam processos e estabelecem prazos específicos de concessão.

Outra alteração é que todos os envolvidos no licenciamento ambiental devem se manifestar já na formulação do termo de referência (documento com especificações técnicas de empreendimentos rurais ou urbanos) e após a execução do estudo de impacto ambiental.

Kataguiri explica que, com a aprovação do projeto, isso vai agilizar o processo de concessão da licença. “Todos os órgãos intervenientes (não licenciadores, como a FUNAI) se manifestam desde o início para evitar uma burocracia inútil, na qual primeiro se tem um termo de referência elaborado pelo órgão licenciador, e posteriormente, o órgão (interveniente) pede um novo estudo porque não participou da fase inicial”, salientou.

Integrante da Frente Parlamentar Agropecuária, a deputada federal Luísa Canziani (PTB-PR) considera que o parecer traz inovações e determina critérios técnicos para os processos de licenciamento ambiental. “É importante salientar que são colocadas questões muito objetivas. A gente nota uma série de medidas para trazer transparência e gestão”, afirmou. 

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Segundo Kataguiri, o projeto está pronto para ser votado na Câmara dos Deputados, após o recesso parlamentar. Além da dispensa de licenciamento para atividades agrícolas e pastoris e a participação pública desde o início, o parecer prevê mudanças também de modernização nos processos e estabelecimento de prazos específicos para concessão de licenças.

Reportagem, Sara Rodrigues

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Sobre a repórter

Sara Rodrigues

Sara iniciou a carreira jornalística como estagiária da Agência do Rádio, em 2014. Foi repórter da UnBTV durante 1 ano e 6 meses e retornou para a redação da ARB como repórter. É responsável pela coluna Diversão em Pauta, e cobre Política Internacional.