Política·20 de dezembro de 2017

Depois de seis anos, Câmara aprova acordo de “céus abertos” entre Brasil e EUA

<p>Expectativa &eacute; de que, ao ampliar n&uacute;meros de v&ocirc;os semanais, pre&ccedil;o das passagens a&eacute;reas possam reduzir<br />&nbsp;</p>

Por Agência do Rádio
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Por Hédio Júnior

Após seis anos, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica, na noite dessa terça-feira, a formalização de um acordo de “céus abertos” entre o Brasil e os Estados Unidos. Na prática, isso permitirá aumentar o número de vôos entre os dois países, possibilitando que mais opções de viagens sejam disponibilizadas. E com expectativa de passagens mais baratas. Atualmente, a quantidade de vôos em operação entre o Brasil e os Estados Unidos é definida por um acordo. Pela norma, cada um deles pode ter um número limite de viagens semanais partindo de um destino a outro. A regra com as empresas aéreas estadunidenses é a mesma aplicada pelo Brasil com outros países. Quando eles decidem romper essas regras e remover a barreira de limitação de voos, é o que se chama de “céus abertos”.

ÁUDIO: Confira a versão de rádio desta matéria

O acordo que gerou uma longa discussão em plenário, e demorou para ser votado, divide até mesmo as companhias aéreas brasileiras. Enquanto a Latam, por exemplo, é favorável, a Azul é contra, por temer uma concorrência desleal com a operação das estrangeiras no país. A oposição, liderada pelo Partido dos Trabalhadores, tentou obstruir a votação e impedir que ela acontecesse. A iniciativa dos petistas foi criticada, já que a proposta de “abrir os céus” com os Estados Unidos foi feita em 2011 entre os então presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama. Para acontecer, no entanto, precisava do aval do Congresso.

A preocupação da oposição é de que, com essa abertura, o mercado brasileiro perca espaço e emprego para o mercado externo. Sem que isso necessariamente, reflita em passagens mais baratas. Erila Kokay, do PT do Distrito Federal, justifica que a diferença está entre as políticas que seriam adotadas no governo petista de Dilma e a aplicada agora pelo presidente Michel Temer. “É leviano comparar que a iniciativa de uma matéria em um governo, em um contexto, com outro olhar sobre a soberania nacional, com um projeto de desenvolvimento nacional e comparar quando estamos vendo aqui que é o Brasil sendo arrancado aos pedaços e jogados para ser praticamente doado ao capital internacional.”

O baiano José Carlos Aleluia, do Democratas, vê incoerência no discurso da oposição e acredita que a aplicação desse acordo favorecerá o consumidor. “Competição, na oferta de serviços, é sempre favorável a quem compra o serviço. Pode ser desfavorável a quem vende o serviço. Claro que as empresas brasileiras vão ter que buscar mais eficiência para que as tarifas não sejam tão altas. Eu tenho observado que em alguns momentos você pra comprar uma passagem entre Brasília e Salvador, ou entre Salvador e São Paulo, está pagando mais caro do que entre Salvador e Miami. É evidente que há alguma coisa de extorsiva nisso.”

O texto agora segue para o Senado, que já encerrou suas atividades este ano e só volta a funcionar em fevereiro, depois do recesso parlamentar. Só depois de aprovado pelas duas casas é que o acordo passará a ter validade.

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