Educação·30 de janeiro de 2019

Depois de deixar faculdade para treinar, aluno do SENAI de São Bento do Sul é finalista para WorldSkills

<p>Se conquistar a vaga na equipe brasileira Allan e os outros competidores ter&atilde;o, no m&aacute;ximo, 22 horas para entregarem projeto</p>

Por Agência do Rádio
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Por Camila Costa

Depois da tempestade vem a bonança. É assim que Allan Scholze, 21 anos, enxerga seu atual momento de vida. Aluno do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de São Bento do Sul, em Santa Catarina, Allan deu duro. Estudou dia e noite, cerca de oito horas todo os dias, inclusive aos sábados e domingos. Precisou abandonar a faculdade para se dedicar aos treinos e até amargou uma derrota durante uma seletiva estadual. No entanto, ele agora é finalista na WorldSkills, a maior competição de profissão técnica do mundo. O jovem, caso carimbe a passagem na delegação brasileira, disputará uma medalha pela modalidade de Fresagem.

Segundo Allan, a modalidade exige fazer a programação de uma peça de alta complexidade, com desenho técnico, interpretação de projeto e desenhos no computador. Tudo em padrões de exigências mundiais, o que aumenta a cobrança dos avaliadores. O evento ocorre entre os dias 22 e 27 de agosto no Centro Internacional de Exposições Kazan Expo, na Rússia. A delegação brasileira ainda aguarda a seleção de seis competidores do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), totalizando 63 competidores na equipe.

Allan tem os cursos de mecânica de usinagem; manutenção industrial e em eletromecânica. “Estou muito feliz em representar o Brasil nessa competição, mas também com ciência de dever muito grande pois muitas pessoas, muitos competidores, queriam representar o Brasil. Então, tenho que trazer orgulho para eles, para o Brasil ser bem representado na competição”, declara. O jovem e outros competidores estão desde o último dia 14 em Brasília para o último treinamento antes da viagem à Rússia.

O gestor do projeto Brasil Kazan, José Luís Gonçalves Leitão, afirma que os jovens precisarão lidar com a pressão, trabalhar tudo ao mesmo tempo, em uma competição onde as habilidades são trabalhadas exaustivamente. “Eles são submetidos a vários testes, exercícios, durante esse período. A primeira questão é que eles têm que ter consciência do desenvolvimento técnico, de desenho técnico, de metodologia, medidas, interpretação de desenho, acabamento de produto, de processos. Tudo isso é trabalhado dentro das habilidades que cada uma das profissões tem”, detalha José.

Estudos mostram que a educação profissional impacta positivamente a vida de diversos jovens no Brasil. Em 2017, cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos no ano passado foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. De acordo com levantamento do SENAI, o curso técnico é o caminho mais rápido para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho e também uma opção para o trabalhador desempregado em busca de recolocação no mercado. O salário de um profissional técnico varia entre R$ 8,5 mil e R$ 12 mil.

Para o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, o país tem potencial em educação profissional. “O Brasil tem sido representado pelo SENAI e pelo Senac, que tem as ocupações mais da área do comércio e serviços, e o Brasil fica sempre entre os primeiros colocados”, afirma.

Conheça a WorldSkills

A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia e África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades, de acordo com as profissões técnicas da indústria e do setor de serviços. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos.

Os jovens também vão precisar demonstrar habilidades individuais e coletivas para concluírem os desafios de suas ocupações dentro de 6 horas. Se conquistar a vaga na equipe brasileira, durante os quatro dias de competição, Allan e os outros competidores terão, no máximo, 22 horas para entregarem o projeto. Em 18 participações, o Brasil já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, a equipe ficou em primeiro no ranking por países.

 

 

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