Educação·31 de agosto de 2018

Curso técnico me proporcionou profissão diferenciada e boa para economia local, diz amazonense

Por Agência do Rádio

Por Sara Rodrigues

A situação que levou Wanderclécio Ramos a escolher uma profissão da indústria não foi das melhores. Em 2015, ele que tinha apenas o Ensino Médio completo, estava com 43 anos e sua mãe adoeceu. Ele percebeu que precisava ter mais tempo para cuidar dela, e também ter mais condições financeiras para comprar remédios e arcar com os exames.

Ao assistir a uma reportagem, Wanderclécio ficou sabendo de uma profissão que crescia cada vez mais no estado do Amazonas, em especial em Manaus, onde mora. Era o técnico de refrigeração e climatização, principalmente porque o estado possui uma das temperaturas mais quentes do país. Ele decidiu se inscrever no curso do SENAI e investir na capacitação. Durante a formação, o estudante percebeu que poderia ser um investimento para superar momentos de crise econômica do país.

“O momento econômico do país me levou a migrar, a tentar fazer uma área técnica. Uma área que poderia me propor uma profissão diferenciada, e que ao mesmo tempo seria boa para a economia local”, conta Wanderclécio, que ainda durante o curso mostrou bom serviço e foi contratado por uma empresa de grande porte no estado, onde trabalha ainda hoje.

Até então, o técnico de refrigeração não via perspectiva com o currículo que enviava para as empresas. Isso, porque, ele considerava a formação da Educação Básica insuficiente. A baixa qualidade do que é ensinado às crianças e adolescentes amazonenses ainda persiste. O resultado do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) foi de 3,70 – nota abaixo da meta desejada pelo Ministério da Educação (4,0).

Para Débora Barem, professora da Universidade de Brasília (UnB), a Educação Básica brasileira, que contempla os ensinos Fundamental e Médio, tem deixado a desejar e não prepara bem os jovens.

“Nós temos alguns problemas na educação de base de uma forma geral, não temos incentivos para que as crianças consigam digerir a matéria, o que é ciência, entender que não são coisas fora de nós. Se buscarmos todas essas questões em relação à ciência e tecnologia, vamos viabilizar novos entendimentos”, explica Barem.

Propostas de melhora

Diante do cenário da educação brasileira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou um estudo que comprova a necessidade de melhorar a Educação Básica brasileira. Além de, também, promover propostas de melhoria para os jovens, a fim de que de que as dificuldades de desenvolvimento econômicas e sociais possam ser superadas. As propostas para o Ensino Técnico são de melhorar a base curricular do Ensino Básico e promover os cursos técnicos. Atualmente, a indústria é responsável por empregar quase 122 mil amazonenses.

“Precisamos fazer um grande esforço se queremos ajudar a agenda de inclusão social para o jovem brasileiro melhorar a produtividade do trabalho, para melhorar a possibilidade dos jovens se inserirem no mercado de trabalho, construírem seus projetos individuais e certamente gerar mais riqueza, bem-estar, competitividade para as empresas e para o país”, afirma Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi.

Nova era da indústria

Informática, eletrônicos e ópticos representam 18,2% do Produto Interno Bruto (PIB) amazonense. Logo em seguida, está o setor de bebidas, responsável por 17,7%. A construção civil está em terceiro lugar no ranking e demanda 14,6%.

Um dos avanços que tem começado a caminhar para se fortalecer na região Norte, e no estado do Amazonas é a Indústria 4.0, que vem sendo observada desde 2010 como avanço nas tecnologias contemporâneas. Entre as ferramentas mais recentes existe, por exemplo, a rastreabilidade – que é a possibilidade de decifrar qual é o ciclo de vida de determinado produto, desde a criação até o descarte.

Além disso, foram criadas outras ferramentas, como a visão artificial e a cloud computing, que é uma nuvem online utilizada como armazenamento de dados e arquivos. Todas essas ferramentas têm como objetivo aumentar o ganho de produção, apresentar transparência nos negócios, aumentar a segurança e reduzir os erros. Além de promover a conservação ambiental e o aumento da qualidade de vida.
 

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