Educação·20 de maio de 2019

Corte de recursos do Sistema S comprometerá qualificação de mão de obra, defende diretora da Secretaria de Desenvolvimento da Bahia

Gestora cita exemplo do SENAI Cimatec, unidade referência em tecnologia e inovação. Indústria baiana emprega mais de 350 mil pessoas

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A diretora da Secretaria de Desenvolvimento da Bahia, Laís Maciel, avalia que um eventual corte de até 50% nos recursos destinados ao Sistema S, como vem sendo aventado pelo governo, comprometeria a qualificação de mão de obra realizada no estado por instituições como o SESI e o SENAI.

Laís Maciel lembra que o estado tem buscado ofertar mais oportunidades à população, por meio de parceria com o SENAI CIMATEC, unidade referência nas áreas de tecnologia e inovação e que “fornece todo o subsídio necessário”.

“Qualquer corte vai causar impacto no desenvolvimento de uma tarefa que já está em curso. O que o estado da Bahia tem buscado fazer é fortalecer e até ampliar o rol de atividades que o SENAI CIMATEC faz. Qualquer corte realmente causa impacto e pode prejudicar o andamento de uma atividade, principalmente na área da educação”, afirma.

A indústria baiana emprega mais de 350 mil pessoas, a maior parte delas no setor de petróleo e biocombustíveis, que representa cerca de 25% da arrecadação local, de acordo com informações oficiais do governo. Segundo a diretora Laís Maciel, a atividade, que parte dos campos de produção e vai até as refinarias, “é muito relevante para o desenvolvimento econômico, principalmente por representar um setor extremamente qualificado”.

Uilson Barbosa Júnior foi aluno das escolas SESI e do SENAI na Bahia e garante que as duas instituições contribuíram para o seu desenvolvimento profissional. Técnico em edificações, ele ocupa hoje um cargo executivo na Placo Saint-Gobain, empresa do ramo de construção sustentável e que opera em 66 países. 

“Estudei na rede SESI de ensino e fiz o curso técnico de Edificações do SENAI. Agradeço a possibilidade de contribuir de forma diferenciada para a área da construção civil, pois tive uma formação de muita qualidade. Acredito que outros jovens devem ter a mesma oportunidade e obter sucesso em sua vida profissional, assim como eu tive e tenho”, atesta.

Futuro incerto

Os possíveis cortes sinalizados pelo governo também têm preocupado entidades locais, como o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Química, Petroquímica, Plástica e Farmacêutica do Estado da Bahia (Sindiquímica).

Para o diretor de Estudos Socioeconômicos do Sindquímica, Mauricio Jarsen, a redução da verba limita a capacidade de qualificar profissionais e, consequentemente, desestimula a instalação de indústrias no estado, o que vai comprometer a geração de emprego e renda na região.

“Pode ser que muitas indústrias comecem a pensar duas vezes antes de vir para a Bahia ou até mesmo deixar a Bahia. Para se ter ideia, a instalação do SENAI CIMATEC aqui na Bahia utiliza equipamento de ponta e busca fornecer essa mão de obra qualificada. Ou seja, se isso (corte) vier a acontecer, quem vai assumir esse vácuo?”, questiona Jarsen.

 “Papel fundamental”

Considerada imprescindível na formação para setores específicos da indústria local, a educação técnica é uma opção cada vez mais escolhida pelos jovens brasileiros em tempos de crise e desemprego.

De acordo com informações do SENAI baiano, a instituição atende atualmente 13 mil alunos apenas nessa modalidade. No estado, são cerca de 20 cursos diferentes, entre eles de Automação Industrial, Biotecnologia, Desenvolvimento de Sistemas e Petroquímica.

A diretora da Secretaria de Desenvolvimento do Governo da Bahia, Laís Maciel, reforça que “as escolas técnicas têm um papal fundamental por preencher um elo da cadeia que não é compatível com um curso superior, e uma formação de nível médio também não atenderia”.

“São cursos especializados, focados a uma mão de obra extremamente qualificada. Ele (SENAI) é fundamental para o desenvolvimento econômico do estado”, ressalta.

Um estudo encomendado pelo SENAI, feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), aponta que profissionais que fizeram cursos técnicos têm um acréscimo na renda de 18%, em média, em relação a pessoas com perfis socioeconômicos semelhantes que concluíram apenas o ensino médio regular.

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De acordo com informações do SENAI baiano, a instituição atende atualmente 13 mil alunos, levando em conta apenas o ensino técnico. No estado, são ofertados 20 cursos diferentes, entre eles de Automação Industrial, Biotecnologia, Desenvolvimento de Sistemas e Petroquímica.

Um estudo encomendado pelo SENAI, feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), aponta que profissionais que fizeram cursos técnicos têm um acréscimo na renda de 18%, em média, em relação a pessoas com perfis socioeconômicos semelhantes que concluíram apenas o ensino médio regular.

Reportagem, Marquezan Araújo 
 

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