Os últimos dias de trabalho no Congresso Nacional estiveram voltados para debate sobre os rumos do futuro governo de Jair Bolsonaro, que assume a presidência da República já no próximo dia 1º de janeiro.
Entre os assuntos mais discutidos esteve a promessa do futuro ministro da economia, Paulo Guedes, de dar uma “facada” nos recursos do Sistema S. O debate tomou conta do último dia da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Formado por entidades como Sesc, Sesi e Senai, o Sistema S. é o responsável por diversos programas de educação técnica e serviços de saúde.
Preocupado com o possível corte de recursos, o senador Paulo Rocha (PT-PA), ressalta que é necessário ter cautela ao discutir o assunto, já que o sistema tem sido fundamental para o desenvolvimento do país.
“O Sistema “S” tem contribuído e muito não só na educação, na formação profissional, mas também nesse processo de tomada de consciência por um Brasil democrático, desenvolvido, etc.”
Para se ter uma ideia, somente no Pará, o impacto de uma “facada” de 30% no SESI, como a sugerida por Paulo Guedes, faria com que 8,3 mil alunos deixassem de estudar no ensino básico ou na educação de jovens e adultos. Quatro escolas fechariam as portas e 19,4 mil atendimentos médicos, odontológicos e ocupacionais deixariam de ser feitos.
Diretor-geral do SENAI e Diretor-Superintendente do SESI, Rafael Lucchesi, afirma que o possível corte de recursos para o financiamento das entidades causaria efeitos devastadores à sociedade brasileira.
“Se for colocada em prática, nós vamos estar fechando mais de 300 escolas. Mais de um milhão e meio de jovens e trabalhadores deixarão de ser atendidos todos os anos. Mais de 18 mil professores serão demitidos”.
Responsável pelos programas de saúde e segurança do trabalhador na indústria, o Serviço Social da Indústria (SESI) também tem uma rede de escolas que beneficia 1,2 milhão de jovens com educação básica, principalmente de famílias de trabalhadores da indústria.
Com a colaboração de Aline Dias, reportagem, Marquezan Araújo