Os últimos dias de trabalho no Congresso Nacional estiveram voltados para debates sobre os rumos do futuro governo, que assume já no próximo dia 1º de janeiro. Entre os assuntos mais discutidos esteve a promessa do futuro ministro da economia, Paulo Guedes, de dar uma “facada” nos recursos do Sistema S. A discussão tomou conta do último dia da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Formado por entidades como, por exemplo, Sesc, Sesi e Senai, o Sistema é responsável por diversos programas de educação técnica e serviços de saúde. Preocupado com o possível corte de recursos, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), ressaltou que o corte nos gastos pode trazer problemas para a educação nacional.
“Simplesmente reduzir gastos de um sistema, que funciona, pode trazer graves na educação. Temos que buscar eficiência em tudo e acabar com vazamentos. Tem vazamento? Vamos fechar o vazamento, mas jamais tratar a situação só financeiramente”.
Para se ter uma ideia, somente no Distrito Federal, o impacto de uma “facada” de 30% no SESI, como a sugerida por Paulo Guedes, faria com que 1,7 mil alunos deixassem de estudar no ensino básico ou na educação de jovens e adultos. Uma escola fecharia as portas e 17,7 mil atendimentos médicos, odontológicos e ocupacionais deixariam de ser feitos.
Diretor-geral do SENAI e Diretor-Superintendente do SESI, Rafael Lucchesi, afirma que o possível corte de recursos para o financiamento das entidades causaria efeitos devastadores à sociedade brasileira.
“Se for colocada em prática, nós vamos estar fechando mais de 300 escolas. Mais de um milhão e meio de jovens e trabalhadores deixarão de ser atendidos todos os anos. Mais de 18 mil professores serão demitidos”
Responsável pelos programas de saúde e segurança do trabalhador na indústria, o Serviço Social da Indústria (SESI) também tem uma rede de escolas que beneficia 1,2 milhão de jovens com educação básica, principalmente de famílias de trabalhadores da indústria.
Com a colaboração de João Paulo Machado, reportagem, Marquezan Araújo