Por Marquezan Araújo
O processo de produção das indústrias já passou por grandes mudanças ao longo dos anos e agora atinge o quarto nível. A chamada indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial já é uma realidade no Brasil e as companhias começam a se preparar para essa nova fase.
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O cearense Rogério Fernandes é proprietário de uma empresa de alimentos variados, como salgadinhos, pipoca e produtos feitos à base de trigo. Ele mora em Maracanaú, região metropolitana de Fortaleza e conta que não quer ficar para trás em relação ao avanço das tecnologias.
Pensando no futuro e com o objetivo de se manter competitivo no mercado, Rogério incluiu a empresa dele em um projeto piloto Indústria Mais Avançada, coordenado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Foram instalados sensores que ajudam a identificar falhas na produção com mais rapidez. Esse procedimento, segundo o empreendedor, é fundamental para manter o trabalho em ordem sem esperar o fim do expediente. “A ideia de você poder acompanhar o andamento da produção da fábrica ao longo do dia tem impacto sim. Com isso, você consegue melhorar os números”, disse.
“Não receber e não implantar as novas tecnologias que chegam, significa ficar para trás em relação à concorrência. É preciso estar atento sim, porque o mercado não para de se movimentar”, completa o empresário.
O gerente executivo de Tecnologia e Inovação da Federação das indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Pablo Padilha, explica que, no projeto, o primeiro passo é fazer um diagnóstico para identificar os principais pontos de gargalo, que requerem um monitoramento. “Fazemos todo o processo de sensorização e digitalização. Eu coloco sensores nas linhas e integro tudo isso via software e o empresário consegue analisar, em tempo real, o que está sendo produzido”.
O trabalho iniciado por Rogério Fernandes reflete na ideia de que a Indústria 4.0 não é um movimento exclusivo para grandes fábricas, como ressalta Padilha.
De acordo com o especialista, o movimento não é algo inacessível para médias e pequenas empresas. “O conceito de 4.0 é a questão do diálogo entre as máquinas. Segue a ideia de que toda a empresa está integrada para que os processos produtivos aconteçam.”
Outros projetos
A chegada do movimento 4.0 no Brasil implica na necessidade de implementação das novas tecnologias digitais na maneira do produzir. Por isso, além do programa Indústria Mais Avançada, as pequenas e médias empresas também têm a opção de conhecer outros projetos. O Brasil Mais Produtivo (B+P) é um deles.
O programa tambem oferece consultoria para introduzir técnicas da Manufatura Avançada/Indústria 4.0 a pequenas e médias empresas brasileiras. O programa, já atendeu três mil empresas de todas as regiões brasileiras.
Segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), as empresas que participaram, em 2017, alcançaram um aumento médio de produtividade de 52,09% nas linhas de produção.
Outra forma de os empresários ficarem por dentro dos novos modelos de produção é participando do Senai 4.0. O projeto disponibiliza uma série de soluções e serviços relacionados à Indústria 4.0.
O trabalho é estruturado em três fases. A primeira consiste na difusão dos conceitos através de encontros presenciais e cursos gratuitos. Nessa etapa, a ideia é possibilitar o melhor entendimento das oportunidades de melhorias.
O próximo passo se refere à construção de um plano de ação com uma trajetória objetiva de utilização dos conceitos e tecnologias da Indústria 4.0. Já na última fase, o SENAI oferece espaços para as empresas terem acesso à informação e ambientes neutros para realização de testes e compartilhamento dos resultados.
Propostas da indústria
Diante da necessidade de os avanços tecnológicos da Indústria 4.0, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) encaminhou uma série de propostas aos candidatos à Presidência da República.
O documento contém medidas de apoio à modernização industrial e aplicação de novas tecnologias digitais no dia a dia das empresas. O objetivo é melhorar a infraestrutura de telecomunicação e desenvolvimento de estratégias para a formação e qualificação profissional. As propostas fazem parte do documento Propostas da Indústria para as Eleições.