Educação·26 de setembro de 2018

CEARÁ: 7,5 mil alunos desistiram dos cursos superiores de engenharia, em 2017

<p>Alto &iacute;ndice de desist&ecirc;ncia aponta necessidade de moderniza&ccedil;&atilde;o no ensino de engenharia</p>

Por Agência do Rádio
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Por Aline Dias

O Brasil está entre os países com o menor número de engenheiros. Enquanto a Coreia, a Rússia, a Finlândia e a Áustria contavam com mais de 20 engenheiros para cada 10 mil habitantes, o Brasil registrava, em 2014, apenas 4,8 graduados em engenharia para o mesmo universo de pessoas, em 2014. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), sistematizados pela Associação Nacional de Educação em Engenharia (Abenge), apesar do ingresso em cursos superiores ter aumentado, passando de 6,5% para 15,1%, entre 2001 e 2016, a evasão aumentou de 5,1% para 10,6% no mesmo período.

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Em 2017, no estado do Ceará, 7.792 mil alunos ingressaram em cursos de engenharia. Em contrapartida, 7.491 desistiram da graduação, de acordo com o Censo da Educação Superior. Deste número, 4.744 se desvincularam da universidade, 2.360 trancaram e 387 trocaram de curso. No ano passado, o estado ofereceu mais de 12,2 mil vagas distribuídas entre cursos ofertados por instituições públicas e privadas nas áreas de engenharia, como engenharia civil, elétrica, mecânica, computação, química, engenharia de produção, materiais e automotiva.

Na Universidade Federal do Ceará (UFC), o cenário não é diferente. Segundo o especialista em engenharia química e professor do Centro de Tecnologia da universidade, Ivanildo José da Silva Júnior, a evasão dos cursos da área de engenharia foi de 44% nos últimos cinco anos. O professor explica que a base curricular e o formato das aulas, pouco atrativas, têm desestimulado os estudantes, que acabam saindo da engenharia e migrando para outras áreas. “O aluno quando entra na engenharia, nos dois primeiros anos, no primeiro ano, principalmente, não tem tanto contato com o curso, mas sim com as cadeiras que são comuns a todas as engenharias e, às vezes, isso o frustra”, destaca.

Para a diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Gianna Sagazio, o alto índice de desistência nas áreas de engenharia mostra a fragilidade e a necessidade da modernização do ensino, que, segundo ela, ainda segue o modelo idealizado há mais de 30 anos. “O mundo está mudando muito rapidamente e a gente precisa preparar os nossos profissionais, os nossos engenheiros, para enfrentar esses desafios que já estão colocados aqui. Se a gente não tiver engenheiros preparados para os impactos dessa revolução digital, a gente não vai conseguir ser um país competitivo e nem gerar qualidade de vida para a nossa população”, ressalta.

Em junho de 2018, a CNI encaminhou, aos candidatos à presidência da República, propostas para a atualização do currículo dos cursos de engenharia identificadas a partir de um trabalho conjunto entre a CNI, líderes empresariais e reitores de importantes universidades, no âmbito da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI).

A diretora explica que foram definidos três eixos estratégicos para modernizar o ensino das engenharias no país: a modernização das diretrizes curriculares e metodologias, aprimoramento do sistema de avaliação e a valorização do trabalho dos docentes. De acordo com Gianna, para o Brasil avançar e se tornar um país inovador “é importantíssimo que a formação privilegie o domínio das competências ligadas ao desenvolvimento e à gestão de projetos, habilidades como o empreendedorismo, a liderança, a criatividade, a facilidade de trabalho em equipes multidisciplinares e a capacidade de aprendizagem autônoma”.
 

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