Saúde·16 de abril de 2020

CE: Para auxiliar sistema de saúde em possível pico de covid-19, SESI vai custear treinamento de 100 médicos

Curso, oferecido em parceria com a Associação Médica Cearense, vai orientar sobre como profissionais podem evitar contágio ao atender pacientes infectados

Por Daniel MarquesJornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB), com passagens em redações da capital. Trabalhou como repórter no Correio Braziliense e Rádio CBN, além de agências de comunicação. Atualmente, integra a redação do Brasil 61 com pautas de saúde e política.
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O aumento exponencial de casos de covid-19 no estado requer que os profissionais da saúde estejam preparados para enfrentar uma possível aceleração da pandemia. A situação tem preocupado o Ministério da Saúde, que contabiliza 2.157 casos confirmados e 116 óbitos até a última quarta-feira (15), no Ceará. Pensando em um cenário de colapso que pode atingir o sistema público de saúde, o SESI-CE se uniu à Associação Médica Cearense (AMC) para treinar e capacitar 140 médicos que vão atuar no atendimento de pacientes infectados. A maioria deles trabalha em hospitais públicos ou em Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e precisa de atualização de como proceder em relação às especificidades da doença. Desse total, 100 vagas foram custeadas pelo SESI, que investiu R$ 45 mil.

Segundo o presidente da AMC, Carmelo Leão, seriam disponibilizadas, inicialmente, apenas 40 vagas, número que triplicou com o apoio da instituição ligada à indústria.

“As aulas teóricas foram gravadas e serão disponibilizadas para toda a comunidade médica, pela internet. Já a parte prática contou com seis horas de aulas com bonecos e simuladores para preparar os médicos para esse grande desafio que é o enfrentamento à covid-19”, explica Leão.

Uma das principais orientações do curso é levar aos médicos conhecimentos necessários para atender pacientes com covid-19, sem o risco de serem contaminados. Essa preocupação da AMC se baseia no dado de que 40 a 50% dos profissionais da saúde que atuam no combate ao coronavírus acabam infectados.

“Nós estamos dando exemplo de que não existe essa dicotomia de saúde e economia. Todos nós estamos no mesmo barco. O importante é nos unirmos para enfrentar da melhor maneira possível essa calamidade para que o mais rápido possível nós possamos voltar às atividades normais”, completa o presidente da AMC.

Além de médicos das redes pública e privada, dois profissionais do SESI participam do treinamento e podem atuar no diagnóstico de trabalhadores da indústria. Além de subsidiar 100 vagas para o curso oferecido pela AMC, o SESI-CE também disponibilizou suas unidades de saúde fixas e móveis para combater a covid-19 no estado.

“O que estamos fazendo é nos colocando à disposição para tudo que é atenção primária, ou seja, prevenção de saúde. Nós trabalhamos em consultas e diagnóstico. O que queremos é ajudar o governo a fazer a triagem para que os profissionais de saúde do estado possam estar a disposição para atuar nos casos de contaminação, que precisam de um cuidado mais imediato”, pontua a superintendente do SESI-CE, Veridiana Soárez.

Respiradores 

Quem também tem se esforçado para reduzir os impactos negativos na saúde pública do estado é a Federação das Indústrias do Ceará (FIEC). Em pouco mais de 20 dias, a entidade arrecadou mais de R$ 11 milhões para a compra de respiradores mecânicos, aparelhos necessários no tratamento de pacientes infectados com sintomas graves. Com o dinheiro doado por diversos segmentos do setor industrial, a FIEC espera reduzir a sobrecarga sobre o sistema público de saúde, já que o Ceará pode estar em uma fase de aceleração descontrolada da pandemia, segundo o Ministério da Saúde. 15 ventiladores desse tipo já foram adquiridos e doados às autoridades estaduais.

Paralelamente ao esforço da FIEC de atender a demanda de profissionais da saúde por meio de doações, o SENAI-CE trabalha para restaurar respiradores mecânicos danificados e deixá-los prontos para uso no menor tempo possível. Em Fortaleza, o SENAI Jacarecanga teve três salas transformadas em centrais de manutenção e produção de peças de reposição. A ação é feita com apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará e da Universidade Federal do Ceará (UFC).

“Temos uma equipe multidisciplinar composta por engenheiros clínicos, pneumologistas, médicos intensivistas, fisioterapeutas e técnicos do SENAI, que atuam nessas áreas da eletrônica, mecânica, mecatrônica, hidráulica e pneumática”, explica o diretor regional do SENAI-CE, Paulo André Holanda.

Essas e outras ações do SESI, do SENAI e da FIEC para amenizar os efeitos da Covid-19 e proteger quem produz e quem consome fazem parte da campanha nacional “A indústria contra o coronavírus”. Também participam da iniciativa a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e as Federações das Indústrias dos demais estados e do DF. Mais detalhes podem ser acessados nas redes sociais de cada instituição.

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Quem também tem se esforçado para reduzir os impactos negativos na saúde pública do estado é a Federação das Indústrias do Ceará (FIEC). Em pouco mais de 20 dias, a entidade arrecadou mais de R$ 11 milhões para a compra de respiradores mecânicos, aparelhos necessários no tratamento de pacientes infectados com sintomas graves. Com o dinheiro doado por diversos segmentos do setor industrial, a FIEC espera reduzir a sobrecarga sobre o sistema público de saúde, já que o Ceará pode estar em uma fase de aceleração descontrolada da pandemia, segundo o Ministério da Saúde. 15 ventiladores desse tipo já foram adquiridos e doados às autoridades estaduais.

Reportagem, Daniel Marques

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Sobre a repórter

Daniel Marques

Jornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB), com passagens em redações da capital. Trabalhou como repórter no Correio Braziliense e Rádio CBN, além de agências de comunicação. Atualmente, integra a redação do Brasil 61 com pautas de saúde e política.