Por Marquezan Araújo
No Ceará, os setores da construção, serviços industriais de utilidade pública e metalurgia são os que mais contribuem para o desenvolvimento industrial do estado. Ao lado de outros, esses segmentos respondem por 77,7% da indústria local. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Além disso, números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apontam que a Construção Civil foi um dos setores que mais gerou emprego entre os cearenses em junho de 2018, com 545 postos de trabalho abetos no mês.
Para o gerente-executivo de Estudos e Prospectiva da confederação, Márcio Guerra, um dos fatores que contribuiu para esse cenário na empregabilidade é a capacitação de pessoas para atuar nessas áreas. No entanto, ele acha que esse índice poderia ser melhor se a Educação Básica oferecida no Brasil fosse mais eficiente e objetiva.
O especialista afirma que a falta de qualidade na Educação Básica brasileira é um problema de muito tempo que interfere na chega do jovem no mercado de trabalho. “Apesar de a educação colocada hoje passar por uma possibilidade de reforma, ela ainda é pouco conectada com os reais problemas do mercado de trabalho”.
De acordo com o balanço, que faz parte de um grupo de propostas apresentadas aos candidatos à Presidência da República para as eleições deste ano, o Brasil conseguiu praticamente universalizar o acesso ao Ensino Fundamental. Em 2015, por exemplo, 97,7% da população de 6 a 14 anos estava matriculada nesse nível de escolarização. Contudo, Guerra explica que isso ainda não é o suficiente.
“Nós tivemos um processo de universalização da educação do Brasil, mas quando olhamos as taxas de produtividade, percebemos que a educação não fez transformações na área, muito por causa da baixa qualidade que se tem”, disse.
Naquele ano, cerca de 1,5 milhão de jovens com idade entre 15 a 17 anos deveriam estar cursando essa etapa da formação educacional, no entanto, encontravam-se fora da escola.
Educação técnica e profissional
Em todo o Nordeste, meio milhão de pessoas optaram por cursos técnicos. É o que revela o último Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC). Esse número, na avaliação da gerente da Área de Educação do SESI/SENAI, Sônia Parente, é interessante porque pode ajudar a suprir a demanda para atender o crescimento das indústrias e da economia.
O pensamento da especialista mostra-se alinhado à pesquisa da CNI quando o estudo também indica que “a indústria exige cada vez mais um profissional capaz de planejar, negociar, interpretar grandes quantidades de dados e informações, aplicar conceitos matemáticos na solução de problemas e, principalmente, ter pensamento crítico.”
Sônia ressalta ainda que, “em outros países como a Alemanha, por exemplo, a educação é justamente com esse foco de preparar para a indústria, de preparar os trabalhadores da indústria para os desafios que as novas tecnologias trazem consigo.”
Ainda de acordo com o estudo feito pela CNI, em países desenvolvidos, mais de 50% dos jovens do ensino secundário cursam algum tipo de Educação Profissional, denominada Educação Vocacional.