Política·27 de março de 2019

Câmara aprova PEC que reduz poder do governo sobre orçamento

Na prática, isso afeta, principalmente, a liberação emendas parlamentares, em especial as que são apresentadas por deputados e senadores para ações nos estados em que foram eleitos

Por Cintia MoreiraEm uma de suas experiências profissionais ganhou um prêmio jornalístico e jura que não tem pautas de preferência. Sua única preferência é que tenham pautas.
Áudio · 00:02:22
Ouvir áudio · 00:02:22Copiar texto

A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta terça-feira (26), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que faz com que o governo tenha a obrigação de efetuar todos os investimentos previstos no Orçamento federal. Na prática, isso afeta, principalmente, a liberação de verba de emendas parlamentares, em especial aquelas que são apresentadas por deputados e senadores para ações específicas nos estados em que foram eleitos.

A votação relâmpago, que foi incluída na pauta de última hora, foi um acordo entre os líderes partidários. Por se tratar de uma emenda à Constituição, o texto precisava de aprovação de três quintos dos parlamentares. O número, no entanto, foi bem maior. No primeiro turno, a PEC foi aprovada por 448 votos a três. Já no segundo turno, o placar foi de 453 votos favoráveis contra apenas seis contrários.

O processo de votação foi tenso. O deputado Marcel Van Hattem (NOVO/RS) chegou a reclamar que os dois pleitos deveriam ocorrer em um intervalo de ao menos cinco sessões entre uma e outra, o que acabou não ocorrendo.

“Eu gostaria só de dizer que, infelizmente, nós não conseguimos a unanimidade da bancada do Partido Novo, talvez justamente porque não houve o tempo suficiente para debatermos desta vez a matéria, porque a Constituição, combinado com o regimento, prevê que haja cinco sessões entre um turno e outro. Gostaria apenas de lamentar que neste momento não foi possível, o plenário soberano quebrou o interstício, mas o Novo gostaria de ter tido mais tempo para debater e quem sabe ser unânime”, reclamou o parlamentar.

Foi então que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), se defendeu.

“Só foi feito desta forma porque havia praticamente unanimidade da Casa”, disse Maia.

Apesar de analistas avaliarem que a aprovação da PEC representa uma derrota para o governo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) afirmou, pelas redes sociais, que a medida é "uma vitória do Legislativo e da independência entre os poderes". Ele fez questão ainda de lembrar que seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, já apoiava a mudança desde a época em que era parlamentar.

O texto agora segue para o Senado. Na Casa, também precisa ser aprovado em dois turnos por, pelo menos, 54 parlamentares em cada votação.

Áudio
Áudio

Apesar de analistas avaliarem que a aprovação da PEC representa uma derrota para o governo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) afirmou, pelas redes sociais, que a medida é "uma vitória do Legislativo e da independência entre os poderes". Ele fez questão ainda de lembrar que seu pai, o presidente Jair Bolsonaro, já apoiava a mudança desde a época em que era parlamentar.

O texto agora segue para o Senado. Na Casa, também precisa ser aprovado em dois turnos por, pelo menos, 54 parlamentares em cada votação.

Reportagem, Cintia Moreira
 

Últimas notícias

Empresas

Inadimplência de empresas bate recorde e chega a 9,3 milhões de CNPJs; Sudeste concentra a maior parte

Ibovespa

Ibovespa recua 1,15% com queda da Vale e cenário externo negativo

Dólar

Dólar sobe 0,23% e fecha cotado a R$ 5,04

Obras

TCU aponta dez obras rodoviárias prioritárias que precisam de recursos para conclusão até 2027

ApexBrasil

SIAL Paris: empresas brasileiras ampliam busca por mercados externos em meio a tarifas dos Estados Unidos

Sobre a repórter

Cintia Moreira

Em uma de suas experiências profissionais ganhou um prêmio jornalístico e jura que não tem pautas de preferência. Sua única preferência é que tenham pautas.