Saúde - Covid-19·30 de março de 2021

Brasil tem capacidade para vacinar 2,4 milhões por dia, diz Queiroga no Senado

Ministro afirmou, em audiência pública, que essa é a velocidade de vacinação ideal, de acordo com a capacidade de estrutura e pessoal de saúde. Dia com mais doses aplicadas contra a Covid-19 teve 432 mil vacinações

Por Alan RiosAlan Rios é jornalista e escritor formado pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Atuou na assessoria de comunicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e na redação no Correio Braziliense, onde foi repórter na Revista do Correio, na editoria de cidades e de política local, do veículo. É autor do livro "Os porquês da Educação Domiciliar no Brasil" e coautor da obra "Educomunicação - Sua Imagem Está na Tela".
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O Brasil tem capacidade de infraestrutura para vacinar 2,4 milhões de brasileiros por dia. Isso que declarou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em audiência pública no Senado Federal, na tarde desta segunda-feira (29). Apesar do número ser usado como meta, faltam imunizantes disponíveis. O dia com o maior número de doses aplicadas contra a Covid-19 teve 432 mil vacinações, em fevereiro.  

“Temos 37 mil salas de vacina no nosso país. O teto da nossa capacidade vacinal, considerando o horário de funcionamento regular dessas salas, é de 2,4 milhões de brasileiros por dia. Se conseguirmos atingir essa velocidade, daremos as respostas que a sociedade quer ouvir de nós, os agentes públicos”, informou Queiroga.

O ministro foi ouvido na Comissão Temporária da Covid-19, e questionado por senadores como Wellington Fagundes (PL-MT), relator da comissão, Kátia Abreu (PP-TO), Nelsinho Trad (PSD-MS) e outros. Na avaliação do médico, o “problema imediato” no Brasil é conseguir atingir a meta de vacinação nos próximos três meses, o que “não é uma questão logística”, mas uma “questão de disponibilidade de vacinas”.

Sobre a quantidade de óbitos em decorrência da Covid-19, Queiroga reconheceu que o número é alto, lembrou da estatística de que a cada três pacientes intubados dois acabam morrendo, mas ressaltou que um dos motivos desse cenário é que o sistema de saúde brasileiro não se preparou ao longo do tempo para a situação atual. 

Outro ponto citado por ele na audiência foi o aval do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), para constituir uma equipe técnica de especialistas que tragam condutas com “capacidade de mudar a história nacional da doença, preservando a autonomia dos médicos”.  

Medicações

Uma outra preocupação atual, além da velocidade das imunizações, é a falta de suprimentos de insumos utilizados em casos graves, como o chamado “kit intubação”, com medicações necessárias para intubar pacientes, e oxigênio. O ministro da Saúde chegou a dizer que a pasta vai agir para uma campanha do uso consciente de oxigênio.

“Estamos trabalhando na área técnica para trabalhar protocolos assistenciais que, entre outras coisas, racionalizem o uso de oxigênio. Muitas pessoas chegam aos hospitais e às vezes a primeira providência é colocar o oxigênio”, avaliou. 

Sobre as medicações, ele levantou que compete aos municípios ofertar esse tipo de medicamento, mas considerou que, “o Ministério da Saúde não pode se eximir do seu papel de regulador e provedor desses insumos”, diante da situação de saúde pública atual. 

“Então, têm sido feitas uma série de ações, como um convênio com a Anvisa para monitorar os estoques da indústria farmacêutica, para que não haja desequilíbrio entre a oferta de insumos para o setor privado e público”, detalhou.

Senadores

Wellington Fagundes abriu a fala contextualizando os problemas enfrentados pelo Brasil nesta pandemia diante do cenário de outros países, como a imunização lenta. “Estamos muito atrasados. Estamos em 15º no ranking mundial de vacinação proporcional à população. Nós amargamos um percentual de somente 6,3% da população com ao menos uma dose [recebida]”. 

O senador também citou casos de países como Inglaterra, Chile e Estados Unidos, que têm 43,8%, 33,4% e 27,4% da população imunizada com pelo menos uma dose. “Mesmo com a taxa alta de imunização, esses países têm promovido as demais medidas higiênicas e também de distanciamento social, o que tem ocorrido de forma não uniforme no Brasil. Muito em consequência disso somos o epicentro da doença no mundo”, colocou.

Queiroga evitou fazer avaliações de trabalhos passados, mas ressaltou que, em pouco tempo à frente do ministério, já há mudanças. “Uma delas é o uso de máscaras. Aqui no Ministério da Saúde, minha primeira providência foi editar uma portaria impondo o uso de máscaras para todos os funcionários”, disse.

Sobre outras medidas necessárias de combate à pandemia, como o fechamento de atividades, o ministro avaliou que o distanciamento social é sim necessário, mas “não vai ser resolvido na base da lei, vai ser resolvido com base na conscientização da população”. 

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) criticou a atuação do governo federal no combate à pandemia até este mês de março, mas pontuou pontos positivos das falas do novo ministro. “Fico particularmente satisfeito com sua preliminar. Nós estamos ouvindo do Ministério da Saúde algo que não ouvimos desde os ministros Mandetta e Teich. O senhor falou sobre o uso de máscaras, que é fundamental, sobre medidas restritivas mais fortes, que não existe possibilidade de tratamento precoce contra a Covid, isso é um bom ponto de partida”, classificou.

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Queiroga evitou fazer avaliações de trabalhos passados, mas ressaltou que, em pouco tempo à frente do ministério, já há mudanças. Ele também chegou a dizer que a pasta vai agir para uma campanha do uso consciente de oxigênio e que está trabalhando para ajudar municípios com medicações necessárias para intubação.
 

Reportagem, Alan Rios 
 

NOTA

O Brasil tem capacidade de infraestrutura para vacinar 2,4 milhões de brasileiros por dia. Isso que declarou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em audiência pública no Senado Federal, na tarde desta segunda-feira (25).

O ministro foi ouvido na Comissão Temporária da Covid-19. Apesar do número ser usado como meta, faltam imunizantes disponíveis. Na avaliação do médico, o “problema imediato” no Brasil é conseguir atingir a meta de vacinação nos próximos três meses, o que “não é uma questão logística”, mas uma “questão de disponibilidade de vacinas”.

Queiroga evitou fazer avaliações de trabalhos passados, mas ressaltou que, em pouco tempo à frente do ministério, já há mudanças. 
 

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Alan Rios

Alan Rios é jornalista e escritor formado pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Atuou na assessoria de comunicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e na redação no Correio Braziliense, onde foi repórter na Revista do Correio, na editoria de cidades e de política local, do veículo. É autor do livro "Os porquês da Educação Domiciliar no Brasil" e coautor da obra "Educomunicação - Sua Imagem Está na Tela".