Economia·12 de dezembro de 2017

Aposentadorias podem sofrer impacto com aumento da população idosa no Piauí, diz especialista

<p>Expectativa de vida no estado aumenta mais de dois meses em um ano.</p>

Por Agência do Rádio
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Por Marquezan Araújo

A expectativa de vida do brasileiro ao nascer aumentou entre 2015 e 2016, passando de 75,5 para 75,8 anos. No Piauí, a tendência se repetiu. No mesmo período, a população do estado passou a viver mais, de 70,9 para 71,1 anos. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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À medida que a quantidade de idosos (60 anos ou mais) cresce, a taxa de fecundidade, que é o número de filhos que uma mulher tem durante toda a vida, diminuiu. Em 1960, por exemplo, uma mulher tinha cerca de 6,3 filhos. Atualmente esse número caiu para 1.9.

Para o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE – FGV) Bruno Ottoni, esse é um fator que não pode ser desconsiderado, principalmente quando o assunto é aposentadoria. Na avaliação do especialista, da forma como funciona o sistema previdenciário atualmente, esse tipo de benefício pode se tornar insustentável no futuro. “À medida que o país for envelhecendo, a tendência é que a situação [da previdência] se torne calamitosa”, comenta.

A explicação é de que, no Brasil, o sistema previdenciário é sustentado por dinheiro vindo de contribuintes em atividade no mercado de trabalho. Isso significa que, com o aumento da população idosa e a redução do número de nascimentos, haverá mais pessoas recebendo o benefício, por mais tempo, e menos contribuintes para pagar as aposentadorias.

Reforma

Na tentativa de aprovar a reforma da Previdência ainda este ano, o governo Federal propôs um novo texto, mais enxuto. Entre os principais pontos está a idade mínima para se aposentar de 62 anos para mulheres e 65 para anos. Além disso, a ideia é equiparar os regimes de previdência dos servidores públicos aos do INSS, o que, na avaliação do coordenador de Previdência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Rogério Nagamine, deixa o sistema mais igualitário.

“Você tem um diferença de valor de benefício gigantesca. É exatamente por isso que é importante que passe uma proposta do governo que obrigue a todos os regimes de previdência dos servidores públicos a ter o mesmo teto do INSS”, justificou Nagamine.

Ficou de Fora

A proposta inicial do governo pretendia incluir na reforma as aposentadorias rurais e o Benefício da Prestação Continuada (BPC). Porém, como se tratavam de temas polêmicos, as regras para adquirir esses benefícios permaneceram como estavam.
 

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