Por Pedro Marra
Pequenas mudanças na indústria podem fazer diferença na hora da produção. Com esse objetivo, quatro alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Bragança Paulista fizeram o Sistema de separação de noz e casca de macadâmia. A ideia é voltada para o ramo alimentício, pois economiza tempo no processo de separação das duas camadas do fruto. Dessa forma, o equipamento usado nesse sistema soluciona algumas questões como a ergonomia, quando uma pessoa fica por cerca de oito horas fazendo a separação; e a higiene, devido o contato direto com a macadâmia. O professor Luiz Fernando orientou a equipe de alunos e explica a finalidade da ideia para esse tipo de comércio.
“Imagina algo como se fosse uma casquinha de amendoim, quando você quebra vai fazer uma mistura de casca e de noz. E a gente precisa separar a casca da noz. Isso é trabalhoso. Hoje, por exemplo, a pessoa chega a quebrar mais ou menos 280 kg a 300 kg por hora. Isso dá algumas toneladas por dia, uma tonelada e pouco. Nós fizemos um sistema que retira essas pessoas, recebe a alimentação de nós e casca misturada, e ao final, separa casca de um lado e noz de outro. E a separação é feita quase que totalmente, dá 98% de separação”, esclarece.
O professor Luiz Fernando conta como é feito o processo de separação. "A noz vem grudada na casca. Quando você tenta quebrar a casca, essa noz se esfarela. Para que isso seja evitado, a gente precisa manter essa bolinha (noz) aquecida a 40º por 21 dias. Com isso, a parte interna, que é a noz que a gente come, perde umidade e fica menor em tamanho e se descasca. Aí a gente consegue quebrar essa casca e obter a noz inteira para poder comer”, expõe.
Luiz conta o passo a passo da extração do fruto. "Uma noz de macadâmia é dura e se assemelha à amêndoa. Ela tem uma casca por fora que se chama carpelo e é retirada no pomar. Depois, ela vem com uma bolinha, mais ou menos no tamanho de uma bolinha de gude. Aí ela precisa ser quebrada para a gente retirar a noz que tem dentro”, ilustra. Confira abaixo o vídeo explicativo sobre o projeto.
Projeto multifuncional
O projeto foi apresentado como destaque em banca virtual na Mostra Inova, do SENAI, que ocorreu em julho de 2018, em Brasília. A estudante Tayná Salowicz, de 16 anos, participou da ideia em seu primeiro ano como aluna do curso técnico de eletrotécnica, e detalha os benefícios sociais do projeto.
"O maior benefício é relacionado à saúde, porque a separação ocorre manualmente e acontece o contato de quem está trabalhando com o alimento. E muitas vezes, esse alimento pode ser contaminado por essa pessoa, e consequentemente, pode estar consumindo o alimento contaminado. Com a inserção desse projeto na separação, vai fazer com que diminua esse contato direto com os alimentos e vai favorecer socialmente os trabalhadores, pois eles acabam trabalhando em posições antiergonômicas. E se você coloca esse projeto para funcionar, você acaba podendo contratar mais pessoas", comenta.
Ela também comenta o que mais cresceu pessoalmente com o projeto. “Durante o processo de produção da ideia, o que eu mais aprendi foram as questões relacionadas ao empreendedorismo. Porque fizemos o nosso projeto com a visão de um empreendedor, para desenvolvimento tanto social quanto econômico", opina.
O projeto concorreu com outras ideias na categoria processo inovador, em que são expostas novas máquinas ou equipamentos, suas adaptações e as melhorias de processos produtivos que proporcionam. Ao todo, o estado de São Paulo participou com oito projetos na etapa nacional do Mostra Inova 2018.