Entre os dias 22 e 27 de agosto, começa a WorldSkills 2019. É simplesmente a maior competição de educação profissional do mundo. Essa será a primeira vez que Victor Iglesias, de 19 anos, irá ao torneio. Ele representará a ocupação de joalheria pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) do Rio de Janeiro (RJ). Para isso, Victor está em Brasília (DF) para um período de treinamentos desde o dia 13 de janeiro e vai buscar uma vaga na equipe brasileira durante a 45ª edição do torneio mundial em Kazan, na Rússia, que vai ocorrer no Centro de exibições KAZAN EXPO. A equipe brasileira será composta por 57 competidores do SENAI e seis do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
O aluno da escola de Joalheria do SENAI-RJ já se prepara para a competição carregando uma grande responsabilidade. Isso porque o Brasil já foi campeão duas vezes da competição, em 2012 e em 2015, com os cariocas Rodrigo Ferreira e Leonardo Fonseca, respectivamente. Victor quer manter a tradição de vitórias e já tem experiência na área. Da metade de 2015 até o fim de 2016, o jovem foi menor aprendiz numa joalheria parceira do SENAI por cerca de um ano e meio. No ano passado, ele retornou ao serviço e também começou a treinar para a Olimpíada do Conhecimento, em que conquistou o segundo lugar na etapa seletiva em Maceió (AL). No começo de dezembro de 2018, Victor ganhou a etapa de desempate em Brasília.
"Eu sempre fui bem calmo. Então eu acho que o mais importante é não se desesperar. Na minha área sempre vai sair alguma coisa fora do seu planejamento. Então nas duas provas eu tive problemas de passar por cima desse contratempo. E como eu trabalho numa empresa, na competição nacional, teve uma prova que eu tinha que fazer um anel. E eu já tinha feito esse tipo de anel na empresa que trabalha com muito anel e pulseira. Então isso já me ajudou bastante. É uma prova para você mostrar suas habilidades de serra, soldagem e acabamento.”
O gestor do projeto Brasil Kazan, José Luis Gonçalves Leitão, explica como é feito o apoio aos competidores no período de treinamento e comenta o foco da equipe brasileira na competição.
“Mostrar que no ensino profissional, especificamente nas instituições de formação profissional, tanto do SENAI, e aí extensivo ao SENAC, temos uma excelência em educação profissional. No caso da avaliação da educação profissional, nós temos, no ranking mundial, excelentes colocações. Fornecemos alimentação, hospedagem e transporte local para todos os competidores que estiverem no centro de treinamento, tanto em Brasília como Belém, Porto Alegre, Joinville, como Belo Horizonte.”
A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia, África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades, de acordo com as profissões técnicas da indústria e do setor de serviços. Em 18 participações, o Brasil já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história foi em São Paulo, em 2015, quando terminou em primeiro no ranking por países com 27 medalhas.
Victor e os outros jovens vão ter de demonstrar habilidades individuais e coletivas nos desafios dentro de seis horas. Se ganhar uma vaga na equipe brasileira, ele e os outros competidores terão, no máximo, 22 horas para entregarem os projetos concluídos.
Reportagem, Pedro Marra