A 45ª WorldSkills ocorre entre os dias 22 e 27 de agosto deste ano. E Lucas Rocha, de 21 anos, pode disputar a competição, que é a maior de educação profissional do mundo. Ele representa o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) da Barra Funda no período de treinamentos desde 13 de janeiro.
O morador de São Paulo (SP) compete na ocupação de confeitaria, e em setembro de 2018, garantiu vaga na equipe que treina para o torneio, após ganhar a etapa nacional de desempate, em Belo Horizonte (MG), no ano passado. A experiência de Lucas na área vem desde 2016, quando foi ajudante de cozinha num pequeno restaurante paulistano.
O jovem ganhava um salário fixo mais comissão extra. Naquela época, tinha 17 anos e foi quando o SENAI surgiu em sua vida. Ele entrou no curso técnico de confeitaria e se tornou competidor da Olimpíada do Conhecimento. Lucas pode ser campeão mundial entre 57 alunos do SENAI e outros seis do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Eles irão representar o Brasil no torneio que ocorre em Kazan, na Rússia.
Após seis meses de trabalho no restaurante, Lucas trocou a função de ajudante de cozinha para aluno do curso técnico de confeitaria, mais precisamente para a Escola SENAI Horácio Augusto da Silveira, na Barra Funda. Hoje, ele se sente mais bem preparado para lidar com a pressão na hora da prova.
“Eu gosto muito desse treinamento do SENAI porque realmente forma um profissional completo. Não ensina você só a temperar um chocolate, a fazer um bombom, ensina a como se comportar mesmo. Isso me ajudou muito porque eu era uma pessoa com um temperamento totalmente diferente do que eu tenho hoje. Sou uma pessoa mais calma, eu lido melhor com o estresse, com a ansiedade. Acredito que o foco vai mais me ajudar nesse treinamento e que vai mais me ajudar lá em Kazan, e o controle em situações de muita cobrança.”
A fase de treinamento disponibiliza alimentação, hospedagem e transporte local para todos os competidores. Eles se preparam tanto em Brasília (DF), como em Porto Alegre (RS), Joinville (SC), Belo Horizonte (MG) e Belém (PA). O gestor do projeto Brasil Kazan, José Luis Gonçalves Leitão, explica como é feito o apoio aos competidores no período de treinamento e comenta o objetivo da equipe brasileira na competição.
“Mostrar que no ensino profissional, especificamente nas instituições de formação profissional, tanto do SENAI, e aí extensivo ao SENAC, temos uma excelência em educação profissional. No caso da avaliação da educação profissional, nós temos, no ranking mundial, excelentes colocações. Fornecemos alimentação, hospedagem e transporte local para todos os competidores que estiverem no centro de treinamento, tanto em Brasília como Belém, Porto Alegre, Joinville e como Belo Horizonte.”
A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia, África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em ocupações das profissões técnicas da indústria e do setor de serviços. Os competidores vão ter de demonstrar habilidades individuais e coletivas para concluírem os desafios dentro de seis horas.
Se ganhar uma vaga na equipe brasileira, durante os quatro dias de competição, Lucas e os demais competidores terão, no máximo, 22 horas para entregarem os projetos. Em 18 participações, o Brasil já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história foi na própria cidade de São Paulo, em 2015.
Reportagem, Pedro Marra.