Por Paulo Henrique Gomes
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) 2017, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 36,4% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos estão desempregados em Alagoas. O número é 110% superior ao índice de desemprego total do estado, que é de 17,3%.
De acordo com o site Ranking de Competitividade, em 2017, o estado ocupou a penúltima colocação em relação à Taxa de Frequência Líquida do Ensino Médio e Ensino Fundamental em todo o país. De acordo com o levantamento, Alagoas ocupou a última colocação em relação ao Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) no último ano.
A professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB), Débora Baren, defende a necessidade de uma reestruturação da educação de base. “Nós temos alguns problemas na educação de base de uma forma geral, não temos incentivos para que as crianças consigam digerir matéria, o que é ciência, entender que não são coisas fora de nós. Se buscarmos todas essas questões em relação à ciência, tecnologia, matemática, são ciências que estão ai para superar os desafios do mundo, viabilizar novos entendimentos, muito disso é falta do entendimento do aluno do que ele fará com aquilo, do quanto é importante e como isso poderá transformar vidas lá na frente, tudo agregado a tecnologia”, afirma.
Diante disso, surge o questionamento. Com as dificuldades encontradas, o sistema de educação está preparando os jovens para o mercado de trabalho da forma correta? Com isso, persistem os desafios, associados não apenas à necessidade de adequação dos currículos e das estratégias de aprendizado, mas também à falta de estrutura e de recursos para a transformação das redes de ensino.
Os cursos técnicos são uma boa opção para adquirir conhecimento e experiência. Segundo pesquisa publicada pela Fundação Dom Cabral, em 2016, 40% das empresas que se deparam com problemas na hora da contratação apresentam dificuldades para encontrar profissionais qualificados de nível técnico.
Uytalo da Silva tem 20 anos e mora em Maceió. O jovem está cursando Edificações no SENAI Gustavo Paiva há seis meses. A intenção dele ao se matricular nesse curso técnico era conhecer a área antes de cursar um curso superior. Para Uytalo, esse módulo irá somar em seu currículo, além de trazer conhecimento. “Para conhecer a área primeiramente antes de ingressar em uma faculdade. É bom, agrega ao currículo, e traz um conhecimento mais amplo em relação à área”, declarou.
Cursos técnicos em outros países
Dados do Centro Europeu de Desenvolvimento da Formação Profissional revelam que, na Áustria e na Finlândia, países com grande tradição nesse aspecto, o percentual de jovens que cursam itinerários vocacionais é de cerca de 70%. Em países como Alemanha, Dinamarca, França e Portugal, essa participação excede os 40%. Esses dados ratificam o pensamento da Diretora de Educação e Tecnologia do SESI/SENAI de Alagoas, Cristina Suruagy.
“A gente sabe que os países mais desenvolvidos, mais da metade dos jovens que estão no Ensino Médio já cursam algum tipo de educação profissional. Então fica claro para a gente o quanto esse aluno sai melhor qualificado para o mundo, para a vida, e principalmente para o mercado de trabalho”, defende.
Cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos no ano passado foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. Dessa forma, a educação profissional é uma das saídas para combater o desemprego, que tem atingido níveis recordes no Brasil, principalmente, entre os jovens.
Brasil
No Brasil, pesquisa realizada pela CNI, em janeiro de 2016, apontava a importância da educação para a consolidação da indústria do futuro no país. Entre as empresas industriais consultadas, 42% consideravam que uma das três principais medidas para acelerar a adoção de tecnologias digitais seria o investimento em novos modelos de educação e em programas de treinamento.
De acordo com uma pesquisa realizada pela PUC-Rio, entre dois indivíduos com a mesma escolaridade, aquele que optou pela educação profissional terá 21,7% a mais de renda na região Nordeste.