Saúde·29 de setembro de 2018

#25 Pausa para Saúde: Alzheimer

Por Agência do Rádio
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Olá, para você que parou agora para dar uma Pausa para Saúde. Eu sou Aline do Valle e estou acompanhada do meu amigo Janary Damacena, para falar sobre Alzheimer.


De acordo com a Organização Mundial de Saúde, “a doença de Alzheimer é o tipo mais comum de demência e representa entre 60 e 70% dos casos”. Mas não precisa ficar assustado: o termo demência é usado para descrever “diversas doenças que são principalmente progressivas, afetando memória, outras habilidades cognitivas e comportamento”.


Essas doenças interferem “significativamente na capacidade de uma pessoa manter as atividades cotidianas”. E, Janary, sabia as mulheres são mais frequentemente afetadas do que os homens? Questões de estatística... Mas quem fala melhor pra gente dessa doença é nossa convidada de hoje: Cristina Hoffman que é coordenadora de Saúde da Pessoa Idosa, aqui do Ministério da Saúde. Cristina, afinal, o que é o Alzheimer.

“A doença de Alzheimer é assim que a gente chama ela é uma doença neurodegenerativa. Ela não é comum, não é normal esperar que todos os idosos por exemplo tenham. Mas a gente percebe, vários estudos nos mostram que existe realmente o maior número de casos especialmente a partir dos 65 anos. Mas é uma doença que também pode se manifestar em idades mais jovens a partir de 40, 50 [anos] em alguns casos”

Os pais da Eliziana Leite, que mora em Curitiba, foram diagnosticados com Alzheimer ao mesmo tempo. O pai, com 70 anos e a mãe com 68 anos.

“O diagnóstico foi dado em 2008 em dezembro para os dois. Quando a médica me falou foi muito difícil por que você imagina que não vai acontecer com a gente.... Aí o que que eles faziam? Eles faziam testes - como é seu nome, quantos anos você tem, qual o nome da rua onde você mora que lugar que você está qual é ela é o bairro daqui. E à medida que essa pontuação dos Testes psicológicos fosse diminuindo aí eles dão diagnóstico do Alzheimer”.

Os testes seguem o Protocolo Clínico regulamentado pela Portaria Conjunta nº 13 do Ministério da Saúde e da Secretaria de Atenção à Saúde. Na avaliação, os profissionais de saúde prestam atenção em cinco pontos. E para que o diagnóstico seja fechado, pelo menos dois deles precisam estar comprometidos.

O primeiro é a memória. Ou seja, a capacidade de aprender ou lembrar de informações recentes. Nesse caso, um dos sintomas seria a repetição as mesmas perguntas, esquecimentos de eventos, compromissos, ou do lugar onde guardou seus pertences.

Outro campo avaliado são as funções executivas. Que é o comprometimento do raciocínio, capacidade de julgamento, redução da capacidade de tomar decisões, entre outros.

Os profissionais avaliam também as habilidades vísuo-espaciais. Para saber se o paciente consegue identificar faces ou objetos comuns, se tem dificuldade pra manusear utensílio, para vestir-se...

Também é avaliada a linguagem. Expressões, compreensão, leitura, escrita...os profissionais avaliam se o paciente apresenta dificuldade em uma dessas áreas.

E por último, os avaliadores prestam atenção na personalidade e no comportamento do paciente. Se ele está apático, ou seja, distante;

Se está muito agitado;

Muito isolado;

Ou desinibido demais...

 E só após uma avaliação extensa, é possível “bater o martelo’, fechar o diagnóstico de Alzheimer. Por isso, a atenção tanto dos profissionais de saúde, quanto de quem convive com alguém que suspeita da doença, deve ser redobrada. Não é mesmo Cristina?


“Então uma questão que é bastante importante dos profissionais estarem atentos e dos familiares em fim também é que em muitos casos acontece de se entender que qualquer esquecimento ou perda de memória seja um Alzheimer por exemplo. E as pessoas ficam muito assustadas com isso não necessariamente é significativo é um indicativo de que você tem Alzheimer. Por isso é muito importante ao se identificar numa entrevista de rastreio que geralmente é feita na atenção básica; ao se identificar algum déficit cognitivo de memória é importante investigar porque pode ser uma outra questão as vezes é o efeito de um medicamento que ela faz uso pode dar uma confusão mental ou às vezes a pessoa está passando por um stress emocional grande e aí eu tenho esquecimentos. Então essa é uma questão importante para que não se banalize como tudo sendo o Alzheimer”.

E como a doença se instala de forma lenta e silenciosa, é importante ficar ligado nos sinais que, como a gente já disse, nem sempre estão ligados à perda de memória. A Eliziana, por empolo, percebeu a manifestação da Alzheimer da mãe por outros sinais.


“Um dia eu cheguei em casa e a minha mãe tinha guardado papel higiênico no armário da cozinha. Outro episódio que ela fazia com frequência era: a gente tem uma travessa de alumínio que é pra você pôr no forno, né? E antes da gente saber da donça, de ser dado o diagnóstico, minha mãe colocava essa panela para fazer arroz. Ligava o fogão - acendia a chama - e colocava. E eu falava:  mas isso aqui não é para cozinhar arroz, é para você pôr no forno. Ela ficava brava, nervosa.  E uma vez, acho que foi no natal de 2007, ela tava fazendo cartões para enviar umas amigas lá de Santa Catarina e ela foi escrever ela conseguiu fazer a primeira palavra, aí ela não conseguiu mais escrever. E ela disse para mim: "- Eu não consigo". Respondi "- Não consegue escrever, mãe"? . "- Não. nao lembrnão consegue escrever mãe não não não lembro como é que escreve é porque você nem me passou pela cabeça zaimer aí eu tive que terminar o meu pai ele come .... Foi antes de soldados agnóstico ele tinha um evento lá em Campo Largo que a região metropolitana de Curitiba e ele pegava uma condução para levar os documentos dele né que fez o teclado e essa quando fala podia ir naquele dia não foi só não vou tocar daí Porque você não vai tocar te esperando lá aí eu não vou porque não tem condição é minha mãe disse mais vai além do vizinho minha mãe tá lá ...."

A identificação de fatores de risco – que são principalmente idade e história familiar –, da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento rápido e adequado são essenciais para um resultado melhor no futuro. Já que ainda não há estudos que indicam que a doença pode ser prevenida ou curada. Certo, Cristina?

“Quanto mais precoce você identificar, melhor será as oportunidades que você vai ter de lançar mão para esse cuidado. Então quando você faz uma avaliação e olha essa pessoa no todo nas diferentes dimensões de sua vida Clínica social enfim funcional e você identifica que ela tá tendo uma perda de memória que é que significativa que vale de você em que fazer um encaminhamento para investigação e ser fundamental é muito importante então ela entra na visão básica e também vai lançar mão de serviços da atenção especializada também seja uma boa história especializado seja neurologista seja um atendimento no centro especializado de referência”

O diagnóstico precoce também permite que o tratamento comece mais cedo. O Sistema único de Saúde oferece remédios para essa doença, mas para receber o paciente precisa preencher os critérios estabelecidos pelas diretrizes para Doença de Alzheimer. A classificação será feita pelo profissional de saúde durante os atendimentos.

Mas será que é só o tratamento medicamentoso que resolve as questões relacionadas ao Alzheimer ou existe outras maneiras de complementar o tratamento? O que você nos diz, Cristina?

“Tem sim tem desde ações de estimulação cognitiva por exemplo é um cuidado muitas vezes o desenvolvimento de atividades físicas também tem um componente bastante importante, a alimentação, e o suporte que é tanto para pessoa que tem a doença quanto para os familiares de apoio psicológico, emocional. Porque aquela pessoa que vai se responsabilizar digamos assim pelo cuidado geralmente um familiar e não familiar próximo enfim também precisa desse apoio precisa de orientação”

Exatamente. Os filhos, a família, os amigos, enfim, todos aqueles que estão próximos à pessoa com Alzheimer precisam lembra de se cuidar. Esse é o conselho da Eliziana que há 10 anos lida com a mãe doente.

“No começo é muito difícil só que sim e você acha que você não vai dar conta. E a mensagem que eu dou é: não desistir e não desanimar. Porque se você não se cuidar se você desanimar quem que vai cuidar do seu pai e da sua mãe, né?”

Isso aí, Eliziana. Estar presente e saudável é um ponto fundamental para garantir a qualidade de vida. Tanto de quem cuida, quanto de quem é cuidado.
Mas será que não existe uma forma de fugir do Alzheimer? Algum tipo de prevenção? Quem responde essa pergunta pra gente é a Cristina.

“A gente ainda não tem estudos que nos mostram qual a causa de fato. né do Rosário mas existe em ações atividades que já tem estudos que mostram que contribuem muito para postergação quando desenvolve ou então que a doença que se desenvolveu de forma mais lenta uma delas é um pouco dessas que a gente já conversou como por exemplo estimular memória a convivência social né troca você participa você discute com os amigos você se encontra Você tem hábitos de vida saudáveis de participação né social esse sempre é positivo o desenvolvimento de atividade física uma alimentação saudável Então são vários aspectos na sua vida que contribuem”

LOC: Obrigada pelos esclarecimentos, Cristina. Eliziana, foi muito bom ouvir a sua história. E a você que nos escuta, um ótimo restante de semana. Porque o Pausa pra Saúde vai ficando por aqui. Mas se você quiser ouvir outros programas e acompanhar nosso Podcast de perto é só ficar e olho nas nossas redes sociais. Facebook.com/minsaude e pelo twitter, @minsaude
LOC: E se quiser participar do nosso programa assim como o Felipe e a Fernanda, é só enviar uma mensagem pro nosso WhatsApp pelo telefone (61) 9-9288-9677. Mande em formato dizendo formato de áudio dizendo o seu nome, cidade e estado. Exemplo: Meu nome é Janary Damacena, sou de Brasília, Distrito Federal. E então, fale sua dúvida ou sugestão de tema para o Podcast. Lembrando: nosso telefone é (61) 9-9288-9677.
LOC [ALINE E JANARY]: finalizar

 

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