02/02/2023 20:04h

Deputado vai comandar os trabalhos do biênio 2023-24. Mesa diretora também é formada

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Como já era esperado, Arthur Lira (PP-AL) foi reeleito como presidente da Câmara dos Deputados. Na eleição que ocorreu na noite de quarta-feira (1º), o deputado alagoano recebeu o voto de 464 colegas, a maior votação absoluta na história de um candidato à Presidência da Câmara.

Lira conseguiu o apoio de 20 partidos, incluindo duas federações. O bloco é formado pelas federações Brasil da Esperança (PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PCdoB e PV) e PSDB-Cidadania, bem como o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, União Brasil, PP, MDB, PSD, Republicanos, Federação, Podemos, PSC, PDT, PSB, Avante, Solidariedade, Pros, Patriota e PTB.

Em seu discurso de agradecimento, o presidente reeleito afirmou que não há mais espaço no Brasil para aqueles que atentam contra os poderes que simbolizam a democracia, em alusão aos atos do dia 8 de janeiro. "Esta Casa não acolherá, defenderá ou referendará nenhum ato, discurso ou manifestação que atente contra a democracia. Quem assim atuar terá a repulsa deste Parlamento, a rejeição do povo brasileiro e os rigores da lei. Para aqueles que depredaram, vandalizaram e envergonharam o povo brasileiro haverá o rigor da lei", afirmou.

Na sequência, em coletiva à imprensa, Lira repercutiu a ampla votação recebida e disse que isso vai significar um debate mais amplo nas matérias de interesse da Casa. “O resultado de uma votação que nos orgulha, de uma votação que nos dá a responsabilidade de saber que nosso espectro de convívio vai ser bem maior. Você não foi eleito por uma parte da Câmara, você foi eleito quase pela totalidade da Câmara. E o resultado da eleição é que a convergência do diálogo, da conversa, do meio, fica melhor para que a gente encaminhe soluções de votações para este próximo biênio. Cada vez mais os extremos serão isolados na política e esse é o nosso papel: trabalhar para que mais convergências a gente faça em cima de diálogos, de ideias e com o resultado de votações de matérias importantes”, explicou o deputado.

Na disputa pela Presidência da Câmara, Lira derrotou o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), lançado pela Federação Psol-Rede, que obteve 21 votos; e o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) obteve 19 votos. Houve 5 votos em branco. No total, foram registrados 509 votos.

Mesa Diretora

Além da presidência, os deputados elegeram ainda os demais membros da mesa diretora para o biênio 2023-2024.

A 1ª Vice-Presidência ficou com Marcos Pereira, do Republicanos (SP), com 458 votos. Luciano Bivar, do União Brasil, segue na 1ª Secretaria após receber 411 votos. Com 371 votos, Maria do Rosário, do PT (RS), ficou com a 2ª Secretaria; e os deputados Júlio Cesar (PSD-PI) e Lucio Mosquini (MDB-RO) ficaram com a 3ª e 4ª  secretarias, respectivamente.

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02/02/2023 15:15h

Segundo as instituições financeiras consultadas pelo Banco Central, o IPCA deve encerrar o ano acima da meta. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta deste ano é de 3,25%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos

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O mercado financeiro reajustou para cima a expectativa para a inflação em 2023. A nova previsão é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano em 5,74%, um aumento de 0,26 ponto porcentual ante os 5,48% da última pesquisa.

A previsão para 2023 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo Banco Central (BC). Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta deste ano é de 3,25%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. 

“Isso tudo é devido a esse cenário de incerteza que você tá vivendo hoje, e esses ruídos do novo governo, o desencontro em relação à prática da política tributária -- se vai haver ou não desoneração, se vai ou não haver aumento do salário mínimo --, então são discussões que acabam, de alguma forma, permeando as expectativas de mercado que já apontam para um aumento também da inflação em 2024 e 2025”, explica o professor e economista Cesar Bergo.

Para 2024, a projeção da inflação ficou em 3,9%, também acima da meta. Em carta ao Ministério da Fazenda, o BC explicou que a inflação só ficará dentro da meta a partir de 2024, cuja projeção é de 3,9%, e em 2025, com 2,8%. Para esses dois anos, o CMN estabelece uma meta de 3% para o IPCA. Para 2025 e 2026, as estimativas são de inflação em 3,5%, para ambos os anos. 

Segundo Bergo, só vai ser possível vislumbrar um cenário positivo quando estiver bem definida a política fiscal do governo. “Então do ponto de vista prático, nós vamos ter que aguardar, verificar se essas medidas do governo realmente se efetivarão, enquanto isso o mercado aponta para um aumento nessa inflação por conta dessa incerteza fiscal e também da resiliência com relação ao preço dos alimentos, sem falar na possibilidade do preço dos combustíveis”, afirma o especialista.

Selic, PIB e câmbio

Além da inflação, o Boletim Focus divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC), traz as expectativas de instituições financeiras para os demais principais indicadores econômicos.

Para a taxa básica de juros, a Selic, a expectativa do mercado é de que a taxa encerre 2023 em 12,5% ao ano. O Banco Central usa a Selic como principal instrumento para alcançar a meta de inflação, que atualmente está no maior nível desde janeiro de 2017, a 13,75%.

A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano variou de 0,79% para 0,8%. Para 2024, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - é de crescimento de 1,5%.

Por fim, a expectativa para a cotação do dólar está em R$ 5,25 para o final de 2023. Para o fim de 2024, a previsão é de que a moeda americana fique em R$ 5,30.

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02/02/2023 08:30h

Mudança no sistema do Banco Central, que valeria a partir de fevereiro, entrará em vigor em 1º de março. Acesso será feito por meio da conta Gov.br

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O acesso ao Registrato, sistema do Banco Central que concentra diversas informações financeiras do cidadão, vai passar a ser realizado exclusivamente pela conta Gov.br, a partir de 1º de março. A mudança entraria em vigor nesta quarta-feira (1º), mas foi adiada em um mês.

Segundo o BC o adiamento ocorreu para "dar aos cidadãos mais tempo para se adaptar ao novo formato de acesso ao Registrato sem enfrentar maiores transtornos".

Por meio do Registrato, o cidadão pode consultar informações gratuitas e relatórios sobre a sua vida financeira, como explica o chefe adjunto do Departamento de Atendimento Institucional do Banco Central do Brasil (DEATI), Denis Muniz. “Entre outras opções, o sistema Registrato permite a consulta de informações sobre empréstimos que a pessoa tem em seu nome, sobre contas abertas no sistema financeiro e quantas chaves Pix ela tem cadastradas. Estão disponíveis ainda outros relatórios de cheques sem fundos, de créditos não quitados do setor público federal, Cadim e relatório de câmbio e transferências internacionais. Quem ainda não tem sua conta Gov.br, nível prata ou ouro, tem esse período para poder se adaptar e criar sua conta”, explica.

O cadastro na conta Gov.br é gratuito e pode ser realizado a qualquer momento, de forma rápida e simples, na página www.gov.br. O login permite o acesso ao portal, tanto por computador como por dispositivos móveis.

Segundo o especialista em finanças Marcos Mello, a implantação do sistema único deve facilitar os acessos para os cidadãos. “De modo geral, os acessos dos serviços do governo pouco a pouco têm sido colocados dentro do sistema Gov.br e isso é muito interessante porque digitaliza todo tipo de prestação de serviço. Então, num único lugar, ela pode ter acesso a todas essas informações, não apenas do ponto de vista financeiro, como é do Banco Central, mas como também documentos”, aponta.

Com a mudança, o fim do acesso ao Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen) pelas pessoas físicas também foi adiado para 1° de março. Até essa data, os cidadãos poderão continuar acessando o Sisbacen usando o mesmo login do Registrato.

De acordo com o Banco Central, a maioria dos usuários prefere usar a conta Gov.br para acessar os serviços do órgão oferecidos, mesmo existindo outras opções. O login único foi usado em 97% dos acessos ao Fale Conosco, em 94% para o Protocolo Digital e 82% no caso do Registro Declaratório Eletrônico – Investimento Estrangeiro Direto.

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02/02/2023 08:30h

Especialistas do Cepea/Esalq/USP e da Emater enumeram os principais motivos que provocaram o reajuste no preço do leite e derivados no final de 2022 e neste início de 2023

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O preço do leite e derivados continua pesando no bolso das famílias. Neste início de ano, os consumidores encontram o litro do produto por um custo entre R$ 5 e R$ 8, dependendo da região do país.

Se para o consumidor a alta não é uma boa notícia, para o produtor o horizonte também é instável. O aumento no preço comercializado pelo criador de gado impacta no preço e no consumo de toda a cadeia derivada do produto.

A pesquisadora Ana Paula Negri, da equipe do leite do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esclarece que os novos preços comprometeram a oferta de derivados na média parcial de janeiro deste ano. Segundo ela, a muçarela e o leite em pó (400 gramas) foram negociados esta semana em São Paulo com altas de 2,8% e 1,8%, respectivamente. 

Ana Paula Negri revelou também que alguns colaboradores do Centro de Estudos da Esalq apontaram uma forte queda nos estoques do produto, tanto na indústria quanto nos canais de distribuição, em relação aos meses anteriores. 

“Isso se deve à limitação da oferta. De modo geral, os agentes de mercado analisam que a demanda ainda permanece no mesmo patamar, porque houve uma pequena reação no consumo, em virtude das festas de fim de ano, por exemplo”, esclareceu ela. “Não se pode dizer, no entanto, que haja um incremento consistente na demanda”, arrematou.

Impactos

A subida no preço do leite e derivados lácteos resulta de uma série de motivos. De acordo com o zootecnista Maximiliano Cardoso, coordenador de ruminantes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), o criador de gado leiteiro ainda está cauteloso. “O mercado mundial é que rege os preços das comodities, como milho, soja e outros, que impactam o preço da ração e o custo do leite produzido”, explicou.

O zootecnista informou os principais motivos que levam toda a cadeia de produção leiteira a ser impactada pelo aumento no preço do produto. Alguns fatores fizeram melhorar a oferta, como a chegada do período de chuvas e o aumento da importação do leite. No entanto, apesar do aumento da oferta na quantidade do leite cru (comercializado pelos criadores de gado de leite), foi registrada uma alta no preço e as razões desse reajuste são diversas.

Principais causas

“Alguns produtos derivados do leite têm valor mais agregado, onde o consumo é mais um nicho de mercado, como alguns tipos de queijo e iogurtes”, detalhou Maxiliano. Ele observou, no entanto, que no final das contas toda a cadeia do leite é impactada.

“O produtor ainda está sentindo o reflexo do aumento dos insumos, tanto na parte de fertilizantes como na parte de rações, de concentrados à base de milho e soja e núcleo mineral vitamínico”. O zootecnista lembrou que hoje em dia é o mercado mundial que rege o preço do produto: “O impacto ainda é grande para o produtor, fazendo com que ele fique mais cauteloso em [fazer] novos investimentos e em ampliar o rebanho”, afirmou.
 

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01/02/2023 04:00h

Segundo a ginecologista e coordenadora da elaboração do Manual do Climatério do Ministério da Saúde, Giani Cezimbra, a intensidade dos sinais do climatério variam de acordo com o organismo de cada mulher

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A menopausa é um fenômeno biológico caracterizado pelo final das menstruações na vida de uma mulher, o que geralmente ocorre entre os 45 e os 55 anos de idade. Para se considerar que uma mulher está na menopausa, ela deve estar há 12 meses sem menstruar.

Os sintomas que antecedem a menopausa são caracterizados como climatério. Nesse caso, ocorrem diversas mudanças físicas e até mesmo emocionais. O conhecimento dos sinais e sintomas permite cuidados individualizados, melhorando a qualidade de vida e o bem-estar nos anos seguintes. 

De acordo com Giani Cezimbra, ginecologista e coordenadora da elaboração do Manual do Climatério do Ministério da Saúde, os sinais e a intensidade do climatério dependem do organismo de cada mulher.

“Podem ser mais intensos e podem ser em maior número do que em outros. Muitas sentem sintomas extremamente leves nessa fase e não precisam de nenhum tipo de tratamento, elas ficam bem. Outras podem ter realmente sintomas que incomodam e prejudicam a qualidade de vida e requerem algum tipo de tratamento, de acordo com a especificidade dos sintomas”, destaca a especialista.

Sintomas do climatério

  • Ondas de calor, que geralmente são acompanhadas de vermelhidão no rosto, suores, palpitações no coração, vertigens e cansaço muscular;
  • Dificuldade para esvaziar a bexiga, dor, perda de urina, infecções urinárias e ginecológicas, ressecamento vaginal, dor na penetração e diminuição da libido;
  • Aumento da irritabilidade, instabilidade emocional, choro descontrolado, depressão, distúrbios de ansiedade, melancolia, perda da memória e insônia;
  • Alterações no vigor da pele, dos cabelos e das unhas, que ficam mais finos e quebradiços;
  • Alterações na distribuição da gordura corporal, que passa a se concentrar mais na região abdominal;
  • Perda de massa óssea característica da osteoporose e da osteopenia;
  • Risco aumentado de doenças cardiovasculares.

Lúcia Helena, ginecologista e vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que a falta da produção do estrogênio, durante o período do climatério, é o que causa as mudanças físicas e psicológicas na mulher.

“Um dos principais hormônios é o estrogênio e em quase todo o organismo da mulher existem receptores para esses hormônios, então quando a mulher entra na menopausa, ela deixa de produzir alguns hormônios, mas principalmente o estrogênio, e a falta do mesmo leva a consequências físicas e psicológicas”, explica a médica.

Giani Cezimbra orienta mulheres que estão com idade entre 40 e 55 anos a observarem se a menstruação está descendo com maiores espaços de tempo, se está irregular, se sentem ondas de calor, principalmente enquanto estão dormindo ou estão começando a ter ressecamento vaginal. Nesses casos, a dica é procurar o ginecologista para fazer uma avaliação e se certificar de que esses são os sintomas do período de climatério. 
 

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31/01/2023 19:30h

Com 89,5 pontos, este é o menor nível do Índice de Confiança de Serviços (ICS) desde fevereiro de 2022

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O Índice de Confiança de Serviços (ICS), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) caiu 2,7 pontos em janeiro. Com 89,5 pontos, este é o menor nível desde fevereiro de 2022 (89,2 pontos), e o quarto mês consecutivo de queda. O índice também recuou 3,2 pontos em médias móveis trimestrais, mantendo a tendência negativa.

Segundo o economista Felipe Ohana, a condição de incerteza quanto às contas fiscais cria uma insegurança para os empresários sobre o que vai acontecer com a inflação nos próximos meses. “A taxa de juros crescendo, ou seja, acima do que estava previsto antes, é um ponto importante para quem vai fazer investimento e para quem vai desenvolver a confiança no sistema, porque taxa de juros mais elevada significa transações econômicas menores. Considerado isso, a renda vai ser menor, seja associado à taxa de Selic mais alta e ao PIB previsto menor, por isso que a renda crescente de 3% em 2022 vai crescer somente 0,8% em 2023”, explica Ohana.

Ainda de acordo com a sondagem de serviços, o Índice de Situação Atual (ISA-CST) cedeu 0,7 ponto, para 93,6 pontos, menor nível desde março de 2022 (90,9 pontos). A piora do indicador situação atual dos negócios, cuja queda foi de 2,0 pontos, para 92,8 pontos, contribuiu para esse resultado. Já o indicador de volume de demanda atual se acomodou, após cair nos últimos três meses com uma variação de 0,5 ponto, para 94,3 pontos.

Para Ohana, quando a renda cresce menos, a demanda por serviços que são muito elásticos cai. “A confiança nesse segmento cai, ou seja, se você fosse um empresário dessa área, você ia dizer, o crescimento da renda vai ser menor, não vamos gerar tantos empregos e, portanto, é de se esperar que a procura por serviços seja menor. Gastos maiores, pressão inflacionária e elevação da taxa de juros, esses três componentes fazem com que os empresários que vão alocar recursos tenham medo do futuro e, portanto, travem os seus investimentos”, aponta.

O Índice de Expectativas (IE-S) também caiu 4,6 pontos, para 85,5 pontos, menor nível desde março de 2021 (81,3 pontos). Os dois componentes do IE-S também caíram: o indicador de demanda prevista nos próximos três meses recuou 5,6 pontos, para 85,6 pontos; e o indicador de tendência dos negócios nos próximos seis meses recuou 3,7 pontos, para 85,5 pontos, menor patamar desde março de 2021 (84,3 pontos).

A Sondagem de Serviços de dezembro coletou informações de 1.520 empresas entre os dias 1º e 26 do mês.

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31/01/2023 19:15h

Depois de registrar estabilidade em dezembro, a confiança do comércio inicia 2023 em declínio, acumulando queda de 19 pontos nos últimos quatro meses

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O índice que mede a confiança do comércio caiu 4,4 pontos em janeiro, para 82,8 pontos, o menor patamar desde março de 2021 (72,5 pontos). Na métrica de médias móveis trimestrais, houve queda de 5,1 pontos, terceira queda seguida. As informações são da sondagem do comércio divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

De acordo com o economista Otto Nogami, além da queda característica de todo início de ano, existem outras questões importantes a serem consideradas que justificam o declínio. “A primeira é o clima de apreensão que a nossa sociedade vive nos dias de hoje. Então todo esse período pós-eleitoral acaba criando uma apreensão muito grande para o consumidor e toda vez que o consumidor tem essa sensação de apreensão, ele normalmente costuma conter seus gastos. Um outro aspecto importante a ser considerado é que a gente não pode esquecer que a sociedade está altamente endividada, como também está inadimplente”, aponta.

Segundo o economista, “a leitura do comércio está no sentido de que a inadimplência faz com que se reduza o poder de compra das famílias e a redução do poder de compra das famílias acaba inevitavelmente impactando sobre o comércio”.

A queda do mês de janeiro foi disseminada em cinco dos seis principais segmentos do setor. Já o Índice de Situação Atual (ISA-COM) recuou 8,8 pontos, para 79,9 pontos, menor patamar desde fevereiro de 2022 (78,1 pontos). 

Por outro lado, no Índice de Expectativas (IE-COM) houve ligeira melhora pelo segundo mês consecutivo, com variação de 0,4 ponto, para 86,5 pontos.

Segundo Nogami, considerando o comportamento da sociedade, o impacto, inevitavelmente, vai recair sobre o Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, sobre o nível de atividade econômica. “Essa é uma das razões que levam para que as projeções do PIB para 2023 estejam, em um patamar abaixo de 1%”, diz.

As perspectivas para o setor de comércio no ano de 2023 são cautelosas, como explica o economista. “Pelas projeções que estão sendo realizadas já desde o ano passado, todos eles sinalizam realmente para o nível de atividade económica relativamente baixa. Então, se tenho essa perspectiva de uma atividade económica relativamente baixa, isso significa dizer que o comércio também terá um comportamento de normal para menos”, explica.
 

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31/01/2023 13:30h

Especialistas apontam alta do dólar e aumento da demanda por produtos agrícolas como responsáveis por superávit, mas produção sofre com preço dos fertilizantes

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O presidente norte-americano, Joe Biden, anunciou o envio de 31 tanques de guerra para uso dos militares ucranianos no conflito contra a Rússia. O comunicado foi feito na última quinta-feira (26) na Casa Branca, dois dias depois da data que marcou 11 meses do início do embate.

Na ocasião, Biden garantiu que a medida não se trata de uma ameaça contra o presidente russo, Vladimir Putin. “O anúncio de hoje agrega no árduo trabalho e compromisso dos países, liderados pelos Estados Unidos, para ajudar a Ucrânia a defender sua soberania e território. É disso que se trata: ajudar a Ucrânia a defender e proteger o território ucraniano”, afirmou o chefe de Estado.

Com a escalada das tensões, o cenário mundial fica mais incerto, o que inclui o Brasil. “Indiretamente, o Brasil acaba também sendo afetado, porque você reduz as relações comerciais entre Brasil e Europa, você provocou uma inflação maior no mundo, o próprio mercado americano trabalhou a política monetária subindo a taxa de juros, isso afetou o preço do dólar também”, comenta o professor e economista Cesar Bergo.

Acontece que o impacto no mercado brasileiro foi positivo. Segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE), a balança comercial do país fechou o ano de 2022 com um superávit – isto é, quando o valor das exportações supera o das importações – de US$ 61,8 bilhões. “A balança comercial brasileira foi beneficiada porque as commodities aumentaram de preço. O Brasil é altamente exportador não só de grãos, mas também de petróleo bruto, então afetou positivamente a economia nesse sentido”, avalia Bergo.

A análise do Ibre indica justamente que as restrições da oferta agrícola associadas à guerra na Ucrânia foram um fator preponderante para esse resultado, uma vez que elevaram os preços agrícolas. O assessor técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Lucas Martins, alerta que, se por um lado a demanda pelos produtos agrícolas subiu, por outro, também aumentaram os custos de produção. “Desde o início dos conflitos, em fevereiro de 2022, os fertilizantes dispararam. Os produtores rurais precisam desses insumos para garantirem a produção das lavouras e o alto custo fez com que os produtores precisassem se programar muito mais em relação ao momento de compra desses insumos e de venda da safras. A safra atual de grãos, a safra 2022-23, está sendo a safra mais cara da história. Os produtores nunca desembolsaram tanto para colocar as culturas no solo”, pondera o especialista.

Uma coisa que Bergo e Martins concordam é que a continuidade do conflito não é algo bom para nenhuma parte envolvida, seja direta ou indiretamente. Além disso, caso as tensões não diminuam, tanto o governo quanto o setor produtivo vão precisar usar a criatividade para suavizar o impacto no mercado brasileiro.

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30/01/2023 20:45h

O início de pesquisas para o desenvolvimento de um antiviral específico para a doença é considerado um importante passo para o combate ao vírus, que já infectou quase 11 mil pessoas no Brasil e matou 15

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O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), em conjunto com a revista científica The Lancet Regional Health Americas, lançou na última semana a edição especial do encarte “Mpox multinacional nas Américas: Lições do Brasil e do México”, com artigos sobre a monkeypox. Durante o evento de lançamento, Mayara Secco, infectologista do INI/Fiocruz, revelou os números atualizados da doença no Brasil. Atualmente são10.711 casos confirmados e 15 óbitos, conforme dados atualizados até 24 de janeiro. Mayara explicou que apenas no ano de 2022 foi identificado um surto da doença fora das áreas endêmicas, que até então eram restritas ao continente africano.

Joana Darc, infectologista, afirma que a mpox ainda é considerada um problema de saúde pública pelo fato de que ainda é negligenciada e não possui medicamentos específicos para o combate. "Por anos ela esteve restrita a países africanos, pobres e sem o devido investimento." A médica explica que o fato de a doença poder ser sexualmente transmitida "faz com que as pessoas se sintam mais constrangidas e com receio de procurar os serviços de saúde por causa do estigma, do preconceito associado", pontua.

"Esse fato pode levar a um agravamento da doença, porque as pessoas deixam de procurar os serviços de saúde por vergonha e aí a doença pode crescer de forma silenciosa e se intensificar em determinadas populações e a gente vai ter alguns problemas de saúde que não foram resolvidos. E a gente já tem essa experiência de que para uma doença se tornar um problema de saúde depende da forma como a gente enfrenta a doença, das formas de prevenção, de tratamento e cuidado com os doentes”, complementa a especialista.  

Entrevista: Luciana Medeiros explica solução sustentável para controlar Aedes aegypti

Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase: Brasil teve mais de 17 mil casos da doença em 2022

Larissa Tiberto, infectologista, destaca algumas das políticas de enfrentamento à doença que precisam ser tomadas para que os casos não piorem e o número de óbitos não suba.

“Primeiro, é informação à população. Parar de estigmatizar a doença como se ela fosse pega em um único grupo de gays e bissexuais por relação sexual. Essa doença pode ser pega por via respiratória, por via de contato, pele a pele. E isso você pode encostar em alguma pessoa na rua, independentemente do seu gênero e da sua condição sexual. A outra coisa que nós precisamos fazer é começar ensaios de vacinas aqui no Brasil, começar ensaios e estudos para uma medicação, pra um antiviral específico contra essa doença”, completa.

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), após consultas com especialistas globais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) começará a usar um novo termo para se referir a monkeypox: “mpox”. O período para esta transição será de um ano e, após esse tempo, o nome monkeypox será abolido.
 

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30/01/2023 04:30h

Em entrevista ao Brasil 61, a coordenadora de Operações de Campo da Oxitec no Brasil disse que a tecnologia é o primeiro produto geneticamente modificado direcionado ao controle do mosquito, sendo uma solução que se soma às medidas já existentes

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Uma solução inovadora e sustentável chamada Aedes do Bem foi desenvolvida pela multinacional de biotecnologia inglesa Oxitec, fundada na Universidade de Oxford e presente no Brasil desde 2011. Livre de inseticidas químicos, a tecnologia faz controle biológico do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, o Brasil registrou, em 2022, o maior número de mortes por dengue da história. Foram 1.016 óbitos pela doença, o que reforça a necessidade de medidas mais eficazes no controle do mosquito transmissor.

Mas como funciona essa tecnologia? Existe o risco de desequilíbrio no ecossistema?  Confira na íntegra a entrevista com a coordenadora de Operações de Campo da Oxitec no Brasil, Luciana Medeiros. 

Brasil 61: Qual o objetivo dessa nova tecnologia?

Luciana Medeiros: Essa tecnologia foi desenvolvida pela Oxitec, que é uma empresa de controle de pragas, controle biológico de pragas. Ela já existe há 20 anos, foi fundada na universidade de Oxford e já há 12 anos desenvolve o Aedes do Bem no Brasil. Então, é uma tecnologia que já tem muitos anos de estudo, de inovação, e que foi desenvolvida pensando em fazer o controle biológico das pragas e insetos. Então, quando o Aedes do Bem é liberado das Caixas do Bem encontra as fêmeas no ambiente e, quando essas fêmeas cruzam com os machos aéreos do bem, ela só produz novos machos. Ao longo do tratamento a população de fêmeas diminui e, consequentemente, é controlada a população do Aedes aegypti no local tratado. 

Brasil 61: Como vai funcionar essa medida de combate ao mosquito da dengue?

L. M.: Essa metodologia pode ser aplicada não só para governos, prefeituras, mas para o consumidor final, indústrias, comércios, porque tem uma flexibilidade grande e as caixinhas são projetadas para tratar aproximadamente 5.000 m². Essa é uma medida preventiva. Não é uma tecnologia corretiva, como quando é aplicado, por exemplo, o químico, o inseticida, a atomização, que normalmente é feita na correção de áreas que já tem, já estão com alta infestação. Então, o Aedes do Bem chega como um adjuvante, adicionando controle às medidas já existentes. Isso não exime, por exemplo, o morador de uma cidade ou a pessoa que adquire a Caixa do Bem, de limpar o seu quintal, não exime a prefeitura de tomar as medidas de vigilância rotineiras, mas o Aedes do Bem faz com que os criadores da região tratada sejam encontrados, coisa que o inseticida não alcança às vezes, os nossos olhos não alcançam. 

Brasil 61: Existe um local específico para colocar as caixas?

L. M.: Sim, as caixas foram projetadas para liberarem os mosquitos do lado de fora. A gente não trata o ambiente interno, mesmo porque os criadores estão do lado de fora. Então dentro da caixa tem um refil, que é um cestinho plástico e toda vez que você for ativar a caixa, você troca esse refil. O refil dura 28 dias, então adiciona o cesto plástico onde contém os ovos do Aedes do Bem e ativa essa caixa com água. O passo a passo é: colocar o cestinho, a cápsula de ovos, ativar com água e aí é o mosquito que faz o trabalho pela gente. Você volta nessa caixa dali a 28 dias apenas. Normalmente, dependendo do público, para prefeituras, ambientes que necessitam de um tratamento mais massivo, recomendamos uma dose maior, então cada ponto de liberação pode ter até tr caixas. 

Brasil 61: Com a liberação do mosquito macho, não existe o risco de haver um desequilíbrio no ecossistema?

L. M.: Não existe. O Aedes do Bem foi extensivamente estudado. A autoridade que nos deu a aprovação para que o produto fosse comercializado é a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) e exigem que a gente realize um estudo muito aprofundado de impacto ecológico para comprovar que não existe nenhum tipo de impacto. Esses estudos comprovaram que o Aedes do Bem não é tóxico, então qualquer diferença do Aedes do Bem para o Aedes aegypti e do ambiente que a gente teve que trazer para ter essa tecnologia, a gente pensou nisso para não causar nenhum tipo de impacto no ambiente. Então, tudo o que ele tem de diferente não é tóxico nem alergênico. O segundo ponto que foi estudado também é como ele entra na cadeia alimentar, então todos os animais que possam se alimentar de um Aedes aegypti, tivemos que fazer um monitoramento disso para saber se é algum tipo de impacto e não tem nenhum tipo de impacto. Outro impacto que também normalmente nos perguntam é se formos suprimir, se formos diminuir essa quantidade de população, ele não vai fazer falta no ambiente. Então, o Aedes aegypti é um mosquito invasor, ele não é próprio do nosso ecossistema aqui no Brasil. Ele chegou aqui em 1980, depois de ser erradicado e se estabeleceu. Existem vários outros bichos que entram no lugar dele caso a gente tenha de controlar essa praga efetivamente.

Brasil 61: Onde o consumidor final, a população pode encontrar as Caixas do Bem?

Luciana Medeiros: Hoje em dia, o modelo “pró”, o qual consideramos profissional, tem uma dose maior de mosquitos, que é liberado. Então a gente indica para ambientes de governo, prefeituras e ambientes de áreas maiores, de balcões industriais e shoppings, por exemplo. Agora, para o consumidor final, a gente está em fase de desenvolvimento, entre janeiro e fevereiro. Até o fim de fevereiro, provavelmente a gente lança uma caixa, que é menor, tem praticamente um quarto da dose dessa caixa “pró” e é capaz de tratar os quintais.  Essas caixinhas vão ser vendidas no varejo. Então, provavelmente os mercados locais vão conseguir comprar essa caixa e comercializar.  

Brasil 61: Qual a importância da adoção de medidas mais eficazes no controle do mosquito Aedes aegypti?

L. M.:  A gente percebe que, ano a ano, chega o verão, a temporada de chuvas, dependendo do local do Brasil, porque tem locais que são calor o ano todo, mas o Aedes aegypti, nessa receitinha calor, mais chuvas, eles começam se reproduzir em alta velocidade e a cada ano a gente percebe que ele está altamente adaptado, e tem evolução em qualquer tipo de tecnologia de inseticida, a maneira de se aplicar, então tem drone, existem químicos que que são menos tóxicos e com maior eficiência, mas ainda assim o mosquito volta. Então, vemos muito as campanhas no rádio, na TV chegando nas nossas casas dizendo 'Limpe o seu quintal, colabore'. Então tem tudo isso, o lado tecnológico mais o lado educacional e a gente sabe que essa receitinha volta a falhar e os mosquitos estão cada vez mais adaptados a ambientes que antigamente não eram. E o Aedes do Bem chega para complementar tudo isso, todas essas tecnologias não funcionam sozinhas, então quem sabe, com uma adoção massiva ao Aedes do Bem, vamos fazer com que esse controle esteja mais nas nossas mãos.

 

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