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LOC.: O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, destacou, na última terça-feira, que a missão empresarial que a instituição está organizando aos Estados Unidos busca aproximar empresas brasileiras e americanas que mantêm relações comerciais.
Às vésperas da aplicação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros imposta pelo governo norte-americano, Alban reforçou que o objetivo da comitiva não é fazer lobby, mas abrir caminhos de diálogo entre o setor produtivo dos dois países.
TEC./SONORA: Ricardo Alban, presidente da CNI
“E o nosso papel, da CNI, é ser um facilitador – um coordenador –, assim como a nossa parceira U.S. Chamber, nos Estados Unidos, também seja um facilitador. Nosso objetivo não é necessariamente fazer lobby. É fazer a sensibilização lá para que as empresas americanas tenham sensibilização para com o governo — e, vice-versa, que nós aqui possamos ter sensibilização com o governo brasileiro.”
LOC.: A missão deve se reunir com companhias brasileiras que atuam no mercado norte-americano e com empresas dos EUA que mantêm relações comerciais com o Brasil. Para Alban, o entendimento entre empresas pode ajudar a construir pontes entre os governos, mesmo sem interferir diretamente nas decisões políticas.
A expectativa da CNI é que a tarifa seja suspensa ou, pelo menos, adiada por 90 dias. Segundo Alban, a medida — se for aplicada — afetará duramente pequenas e médias empresas brasileiras, que não têm fôlego para lidar com barreiras deste porte.
Durante reunião da diretoria da CNI em Brasília, na terça-feira, os dirigentes das federações estaduais manifestaram forte preocupação. A estimativa é de que a tarifa possa gerar a perda de 110 mil empregos no Brasil, reduzir em 0,16% o PIB nacional e causar uma retração de 2,1% no comércio mundial, com impacto de quase US$ 500 bilhões.
O estado do Ceará será um dos mais atingidos. De acordo com a Federação das Indústrias do estado, o risco é de até 8 mil demissões, principalmente nos setores de aço, pescado, castanha de caju e calçados. Mais de 90% dos peixes vermelhos pescados no Ceará têm como destino os Estados Unidos.
Além das exportações, estão em jogo investimentos bilionários entre os dois países. Um levantamento da CNI aponta que, só nos últimos cinco anos, 70 empresas brasileiras investiram mais de 3 bilhões de dólares em projetos nos EUA. O fluxo é intenso também na direção contrária: os americanos somaram, em 2024, US$ 357 bilhões em investimentos no Brasil.
Enquanto isso, o governo brasileiro continua tentando manter as portas abertas para o diálogo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que aguarda uma nova conversa com o Tesouro americano — o que pode acontecer assim que o secretário Scott Bessent retornar da Europa.
Reportagem, Livia Braz