Foto: Augusto Coelho / CNI
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Tarifaço: Indústria organiza missão empresarial aos EUA para discutir possível aplicação das medidas tarifárias

Tarifaço: Indústria organiza missão empresarial aos EUA para discutir possível aplicação das medidas tarifárias

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) vai organizar uma missão empresarial aos Estados Unidos nas próximas semanas, para discutir a possível aplicação da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (25) pelo presidente da entidade, Ricardo Alban, durante reunião do Fórum Nacional da Indústria, em São Paulo.

“Não devemos perder a razão neste momento, mas também não podemos cruzar os braços. Queremos ir aos Estados Unidos conversar de empresa para empresa e defender os nossos interesses comerciais”, afirmou Alban.  

A medida anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, há duas semanas, pode entrar em vigor a partir de 1º de agosto, caso não haja acordo entre os dois países. 
O objetivo da missão, segundo Alban, é sensibilizar empresas brasileiras e norte-americanas sobre os impactos negativos da tarifa e contribuir com a mediação entre os governos, sem interferir diretamente nas negociações oficiais. 

"Mas que nós possamos ser facilitadores, indutores, dessa convergência de negociações, de entendimentos. Uma mesa de negociação sem a presença política e geopolítica do tema, mas sim com os assuntos comerciais e econômicos, para que essa relação tão importante e tão longeva [entre] Brasil e Estados Unidos seja preservada", afirmou o presidente da CNI.
Alban ressaltou ainda que o setor mantém a expectativa de que a tarifa imposta seja suspensa ou, ao menos, adiada por 90 dias para ampliar o espaço para diálogo.

Investimentos bilaterais Brasil-EUA

Mapeamento elaborado pela CNI aponta que 2,9 mil empresas brasileiras têm investimentos nos EUA. Nos últimos cinco anos (2020-2025), 70 empresas nacionais anunciaram projetos em solo norte-americano. Destaques para a JBS (US$ 807 milhões), Omega Energia (US$ 420 milhões), Companhia Siderúrgica Nacional (US$ 350 milhões), Bauducco Foods (US$ 200 milhões) e Embraer (US$ 192 milhões).

Ainda de acordo com o estudo, os investimentos do Brasil nos Estados Unidos alcançaram um estoque de US$ 22,1 bilhões em 2024, uma alta de 52,3% em relação a 2014. Entre 2020 e 2024, empresas do país anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novas operações nos EUA

Em contrapartida, os americanos acumularam US$ 357,8 bilhões em investimentos no Brasil no ano passado, um aumento de 228,7% em relação a 2014. Atualmente, segundo o estudo, há 3,6 mil companhias americanas operando no Brasil.  

Tarifaço: 1ª conversa entre Brasil e EUA

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou, nesta quinta-feira (24), ter conversado com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, no último sábado. Esta foi a primeira conversa entre integrantes do alto escalão dos dois governos desde o anúncio do tarifaço.

“Foi uma conversa longa, colocando todos os pontos e destacando o interesse do Brasil na negociação”, disse o vice-presidente, que não entrou em detalhes sobre a resposta de Lutnick.

“Em vez de ter um perde-perde, com inflação nos Estados Unidos e diminuição das nossas exportações para o mercado americano, nós devemos resolver os problemas, aumentar a complementaridade econômica, a integração produtiva, investimentos recíprocos. Enfim, avançarmos numa agenda extremamente positiva”, afirmou.
 

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LOC.: A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, vai liderar uma missão empresarial aos Estados Unidos nas próximas semanas. O objetivo é discutir com empresas norte-americanas a possível aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados.

O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Ricardo Alban, nesta sexta-feira, dia 25, durante encontro do Fórum Nacional da Indústria, em São Paulo.

A tarifa pode começar a valer já no dia 1º de agosto, caso não haja um acordo entre os dois países. A missão deve reunir empresários brasileiros para dialogar com companhias norte-americanas, buscando mostrar os impactos negativos da medida e defender os laços comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Ainda segundo o presidente da CNI, a missão empresarial quer atuar como um canal de diálogo, sem interferir nas negociações oficiais entre os governos.

TEC./SONORA: Ricardo Alban, presidente da CNI

"Mas que nós possamos ser facilitadores, indutores, dessa convergência de negociações, de entendimentos. Uma mesa de negociação sem a presença política e geopolítica do tema, mas sim com os assuntos comerciais e econômicos, para que essa relação tão importante e tão longeva [entre] Brasil e Estados Unidos seja preservada."
 


LOC.: O setor industrial também espera que os Estados Unidos suspendam ou adiem a tarifa por, pelo menos, 90 dias – tempo considerado necessário para ampliar as negociações.

De acordo com um levantamento da CNI, atualmente cerca de 2.900 empresas brasileiras mantêm investimentos nos Estados Unidos. Entre 2020 e 2025, 70 empresas anunciaram novos projetos em solo norte-americano – com destaque para nomes como JBS, Embraer, Companhia Siderúrgica Nacional e Bauducco.

No total, os investimentos brasileiros nos Estados Unidos somaram mais de 22 bilhões de dólares, no ano passado. Esse número equivale a uma alta de 52% em relação a 2014. 

Do outro lado, os americanos aplicaram quase 358 bilhões de dólares no Brasil em 2024.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou, nesta quinta-feira, ter conversado com o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, no último sábado. 

Esta foi a primeira conversa entre integrantes do alto escalão dos dois governos desde o anúncio do tarifaço. Segundo Alckmin, foi uma conversa “longa, colocando todos os pontos e destacando o interesse do Brasil na negociação”. O vice-presidente brasileiro que não entrou em detalhes sobre a resposta do secretário do Comércio norte-americano.