Foto: Porto de Santos/Divulgação
Foto: Porto de Santos/Divulgação

Tarifaço: “É um risco real de paralisação das operações”, alerta indústria de suco sobre implantação das tarifas dos EUA

Sem avanços nas conversas com Washington, pequenas empresas e produtores enfrentam risco de sobrevivência. Caso da Fisher Sucos, em Santa Catarina, retrata impacto direto das tarifas de 50%


As negociações entre Brasil e Estados Unidos para tentar reverter as sobretaxas de 50% impostas a produtos nacionais continuam sem avanço. Conversas, segundo o governo, pouco produtivas, e a falta de contrapropostas por parte dos EUA estão entre os problemas. Diante do impasse, o governo Lula acionou a Advocacia-Geral da União (AGU), que está em vias de fechar acordo com um escritório de advocacia norte-americano. A ideia é reforçar a interlocução direta em Washington e abrir espaço para a defesa dos interesses brasileiros nos tribunais dos EUA. O governo nega se tratar de lobby, mas reconhece a necessidade de equilibrar forças diante da atuação de grupos políticos americanos que defendem o endurecimento das barreiras comerciais.

O setor produtivo, porém, já sente o impacto imediato. Para o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait, a taxação ameaça sobretudo pequenos empresários que exportam de forma direta ou fazem parte de cadeias produtivas, como os de cafés especiais e vestuário.

“Essas empresas pequenas, que respondem por 65% dos empregos, não vão conseguir sobreviver com a taxação de 50%. Isso pode gerar desemprego, porque não há como buscar novos mercados de um dia para o outro. O primeiro impacto será a sobrevivência das empresas, e o segundo, a queda radical na empregabilidade”, afirmou Cotait.

Pequenas empresas e economia local são as primeiras a sentir o impacto

Um dos exemplos mais emblemáticos vem de Fraiburgo, em Santa Catarina, principal polo produtor de maçã do país. A Fisher Sucos, que há mais de 20 anos exporta o produto a granel para os Estados Unidos, está com parte da produção parada no Porto de Santos.

Segundo o gerente industrial da empresa, Sílvio José Gmach, mais de 80% das exportações da companhia têm como destino o mercado norte-americano. Com as novas tarifas, os embarques foram suspensos.

“Desde que teve o tarifaço, nenhum embarque mais tem condição de seguir para os Estados Unidos. Ficamos totalmente sem competitividade. Hoje, temos produto parado no Porto de Santos esperando uma definição de mercado. Se não houver acordo, teremos que retornar com a carga, reembalar e buscar alternativas que não existem no curto prazo”, disse.

Gmach alerta que, sem uma solução diplomática, a empresa pode ter que interromper suas atividades, o que afetaria não só seus 100 funcionários, mas também pequenos produtores rurais da região.

“É um risco real de paralisação das operações. Uma atividade que existe desde 1998, há quase 30 anos, pode ser obrigada a parar. Seria uma catástrofe não só para a empresa, mas para toda a economia local, que depende da destinação dessa matéria-prima”, afirmou.

Enquanto o governo estuda medidas de apoio financeiro, empresas como a Fisher defendem que a única saída viável é uma solução negociada com os Estados Unidos. “A diplomacia ainda é o melhor caminho. O que precisamos é retomar as exportações como antes”, concluiu Gmach.

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LOC.: As negociações entre Brasil e Estados Unidos para reverter as sobretaxas de 50% seguem sem avanços. O governo brasileiro admitiu que as conversas foram pouco produtivas e busca alternativas para tentar retomar o diálogo com Washington. Enquanto isso, empresas exportadoras já sentem os efeitos do chamado tarifaço, especialmente as de menor porte.

Segundo o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, Alfredo Cotait, a sobrevivência das pequenas empresas está em risco imediato.

 

TEC/SONORA: Alfredo Cotait, presidente da CACB

"Isso pode causar um desemprego porque muitas dessas empregos não vão sobreviver porque aí é busca por mercado, a pequena não tem condição de buscar o mercado alternativo da noite para o dia. Então o primeiro impacto para as pequenas é a sobrevivência e o segundo vai ser uma diminuição radical na empregabilidade das pessoas que estiverem trabalhando nessas empresas.”
 


LOC.: Em Santa Catarina, a Fisher Sucos, de Fraiburgo, já está com cargas paradas no Porto de Santos. Mais de 80% da produção da empresa tem como destino os Estados Unidos. O gerente industrial da companhia, Sílvio José Gmach, alerta para o risco de paralisação das atividades.

TEC/SONORA: Sílvio José Gmach, gerente industrial da Fisher Sucos

“É um risco de paralisação das operações de suspensão da atividade dos funcionários dos prestadores de serviço todas as pessoas enfim que estão envolvidas na cadeia. Esse é o pior cenário, paralisar as operações. Uma operação que está desde 98 a quase 30 anos seria uma catástrofe ter que paralisar as operações.”
 


LOC.: O governo brasileiro avalia medidas de apoio, mas para empresas e entidades do setor produtivo a única saída viável é uma solução diplomática que reduza as tarifas e devolva competitividade às exportações nacionais.

Reportagem, Livia Braz