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LOC 1: Já está valendo a Lei da Reciprocidade Econômica. Regulamentada por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta terça-feira, a medida permite ao Brasil responder formalmente a ações unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade nacional – caso do recente tarifaço anunciado pelos Estados Unidos.
Na prática, o novo decreto autoriza o governo a suspender concessões comerciais, investimentos e obrigações relativas à propriedade intelectual.
Além disso, o decreto presidencial criou o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas, que vai analisar e aprovar eventuais contramedidas provisórias – sejam emergenciais ou com tramitação mais longa.
O movimento ocorre após o governo norte-americano anunciar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil, o que gerou reação imediata do setor produtivo.
Na primeira reunião do comitê interministerial, ocorrida nesta terça, em Brasília, o setor Industrial pediu ao governo brasileiro que discuta junto ao norte-americano um adiamento de 90 dias no início da vigência da tarifa. O objetivo é de abrir espaço para acordos bilaterais e negociações setoriais.
A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, defendeu que o Brasil esgote todas as possibilidades de diálogo antes de adotar qualquer tipo de retaliação.
O presidente da entidade, Ricardo Alban, participou da primeira reunião do comitê.
TEC./SONORA: Ricardo Alban, presidente da CNI
"O setor produtivo, a Indústria e, certamente, o agronegócio estão convergentes na busca da solução, porque o que temos aqui é um verdadeiro 'perde-perde'. Não faz sentido, de forma nenhuma – nem econômica, nem social, nem geopolítica. Então, temos que trabalhar para que a situação seja contornada."
LOC 2: A CNI estima que a tarifa pode provocar a perda de até 110 mil empregos diretos no Brasil, com reflexos no PIB e na balança comercial.
O governo brasileiro afirma que está atuando para reverter a taxação. O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, lembrou que os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil há 15 anos e que a tarifa média brasileira é de apenas 2,7% sobre produtos americanos.