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LOC 1: A semana em Brasília começou com expectativa sobre a criação de um comitê entre o governo federal e os setores mais afetados pela sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O intuito do Brasil é levantar dados e medir o impacto da ação de Trump entre os exportadores. A partir disso, o país terá informações para tentar negociar com os Estados Unidos.
Para o principal representante do setor industrial, Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria, a formação do comitê é de ‘grande valia’. Alban diz que o momento requer atenuação das polarizações políticas e abertura de negociações amigáveis.
Segundo o presidente da CNI, a decisão do governo norte-americano foi recebida com surpresa pelo setor industrial e não encontra respaldo em dados econômicos.
TEC./SONORA: Ricardo Alban, presidente da CNI
“Não existiu qualquer fato econômico que justificasse uma medida desse tamanho, que pudesse elevar a tarifa do Brasil de um piso de 10% para um teto de 50%. Os impactos dessas tarifas a partir do mês que vem serão graves para a nossa indústria, que é muito interligada ao sistema produtivo americano.”
LOC 2: Ainda de acordo com a CNI, há mais de 15 anos os Estados Unidos registram saldo positivo constante na troca de bens e serviços com o Brasil. Entre 2015 e 2024, o saldo foi de mais de 91 bilhões de dólares em mercadorias e de cerca de 257 bilhões de dólares em serviços.
Além disso, as alíquotas brasileiras são quatro vezes menores do que a alíquota média de 11,2% registrada na Organização Mundial do Comércio. Em 2023, a tarifa aplicada pelo país sobre produtos norte-americanos foi de 2,7%.
Reportagem, Janaína Michalskì