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LOC.: O setor produtivo defende que a atualização dos limites de faturamento anual do microempreendedor individual seja estendida às demais faixas de enquadramento do Simples Nacional. O projeto é considerado estratégico para reduzir a informalidade e aliviar a pressão sobre pequenos negócios.
O empresário e presidente da Associação Comercial e Industrial de Cascavel, Marcio Luiz Blazius, compara os efeitos da proposta no setor empresarial com o aumento da faixa de isenção do imposto de renda para pessoas físicas. Segundo o executivo, a matéria pode corrigir uma distorção tributária e reenquadrar companhias que saíram por aumentos no faturamento apenas pela correção inflacionária, sem ganhos reais.
TEC./SONORA: Marcio Luiz Blazius, presidente da ACIC
“Eu acho que tanto Cascavel, como o Paraná e o Brasil, o benefício seria o mesmo: a possibilidade de manutenção dentro do Super Simples de algumas empresas que tiveram que sair só por conta de ter o seu faturamento atualizado pela inflação sem crescimento real, do Super Simples ou dessas faixas de MEI e da micro”.
LOC.: O deputado federal Diego Garcia (União-PR) participa das articulações para a atualização junto com o setor produtivo no Congresso Nacional. Ele ressalta que o aparente crescimento das receitas do empreendedor, na verdade, só está no papel ou nas planilhas, e que a mudança de regime ou até a saída do Simples Nacional pode decretar o fim da atividade.
TEC./SONORA: Diego Garcia, deputado federal (União-PR)
“Quando não se atualiza a tabela, o estado acaba punindo quem tenta crescer. O empresário chega perto do limite e pensa duas vezes antes de contratar, abrir uma nova unidade, comprar mais mercadoria ou formalizar mais vendas. Isso cria uma trava artificial ao crescimento.”
LOC.: O tema está sendo discutido atualmente em uma comissão especial instalada na Câmara dos Deputados, dentro do projeto que eleva o limite de faturamento anual do MEI para até R$ 130 mil e autoriza esse perfil de empreendedor a contratar até dois empregados.
Entidades empresariais defendem uma elevação maior: aproximadamente R$ 145 mil anuais para o MEI; R$ 869 mil para microempresas; e R$ 8 milhões e 700 mil para empresas de pequeno porte. Nesta semana, o relator do texto, deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), sinalizou que deve atender às reivindicações.
Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo e da Associação Comercial de SP, destaca que a medida é essencial para evitar que empresas abandonem o regime simplificado ou migrem para a informalidade.
TEC./SONORA: Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB
“O que nós precisamos é conscientizar os nossos políticos da importância da aprovação do aumento do limite do Simples Nacional, pelo menos para o MEI, o microempreendedor individual, e para o micro e a microempresa. Sem isso, as empresas ou vão mudar o seu regime ou vão para informalidade.”
LOC: O Simples Nacional reúne diversos impostos em uma única guia e é hoje o principal regime tributário para pequenos negócios no país. Os limites de faturamento anuais são R$ 81 mil para MEIs, R$ 360 mil para microempresas e R$ 4,8 milhões para empresas de pequeno porte. Eles foram definidos em 2018 e, desde então, não foram revistos.
Reportagem, Álvaro Couto.