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A produção da indústria brasileira mostrou sinais de recuperação no último mês. A Sondagem Industrial, levantamento mensal realizado pela Confederação Nacional da Indústria, mostrou evolução de 1,4 ponto no índice de desempenho do parque fabril nacional, saindo de 50,1 pontos em setembro para 51,5 em outubro. A taxa varia de 0 a 100 e, quanto mais longe de 50 pontos, mais acentuada é a variação.
A melhora, prevista pelo setor, veio abaixo do esperado. A pontuação é bem inferior quando comparada ao mesmo mês do ano passado. Em outubro de 2024, o índice indicava 53,7 pontos, ou seja, uma diferença de 2,2 pontos de desempenho. De acordo com Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o período costuma ser de alta demanda devido à renda da população, que tem incremento no final do ano, com bônus e o décimo-terceiro salário.
“Só que, neste ano, esse aumento foi mais fraco do que em anos anteriores. O ritmo dessa expansão foi menor, como também acontece numa base mais fraca: a indústria já não vinha trazendo bons resultados nos últimos meses.”
A pesquisa revela que essa menor atividade industrial reflete também na queda de trabalhadores empregados: 48,8 pontos, 0,1 ponto abaixo na comparação com setembro e segunda pior marca no ano, atrás apenas de agosto, quando o índice marcava 48,4 pontos.
Cenário que faz com que os gestores industriais adotem tom pessimista. Em novembro, o índice de expectativa de demanda por produtos industriais recuou 1,2 ponto, de 52,5 pontos para 51,3 pontos, o pior resultado para o mês desde 2016.
Para Azevedo, essa tendência negativa deve perdurar pelos próximos seis meses, a menos que haja melhora no ambiente de negócios.
“Há uma expectativa de continuação dessa queda do emprego, como também compras menores de matérias primas e insumos, justamente por conta dessa expectativa mais fraca de demanda.”
Com menos mão de obra empregada, subiu o uso dos estoques e da capacidade instalada. O nível de estoques caiu 0,4 ponto no último mês, agora marcando 50,3 pontos em outubro, o que demonstra desaceleração no ritmo de acúmulo de estoques, aproximando o uso efetivo do nível planejado, atualmente em 50,2 pontos.
Já a Utilização da Capacidade Instalada teve incremento de 1 ponto percentual em relação a setembro e marca 71%: mesma taxa de outubro de 2023 e 3 pontos percentuais menor do que o mesmo mês de 2024.
Para a edição de novembro da Sondagem Industrial, a CNI consultou mais de 1.400 empresas de pequeno, médio e grande porte, entre os dias 3 e 12 de novembro.
Reportagem, Álvaro Couto.