Imagem: Arquivo/Agência Brasil
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Monitoramento de secas: 3,5 mil municípios brasileiros estão em alerta em 2026

Boletim do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais aponta 3.545 cidades com algum nível de seca; quatro municípios registram condição extrema e Sistema Cantareira opera em faixa de restrição

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O mais recente Boletim Mensal de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático, divulgado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), revela que 3.545 municípios brasileiros registraram algum nível de seca em janeiro de 2026. O cenário acende um alerta para a gestão hídrica e agrícola no trimestre de fevereiro a abril.

De acordo com o Índice Integrado de Seca (IIS-3), 361 municípios estão em seca severa, número 12,5% menor que em dezembro. Por outro lado, houve avanço da seca moderada, que passou de 1.194 para 1.225 cidades (+2,6%), e da seca fraca, que saltou de 2.005 para 2.320 municípios (+15,7%).

Quatro municípios registraram seca extrema em janeiro: Igaracy (PB), Limeira do Oeste (MG), Santa Vitória (MG) e União de Minas (MG). Não houve casos de seca excepcional nesse recorte mensal.

No acumulado de seis meses (IIS-6), os mesmos quatro municípios permanecem em condição extrema. A região central do país concentra as áreas mais críticas, em um corredor que envolve estados do Sudeste (Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro), Centro-Oeste (Goiás e Mato Grosso), Norte (Tocantins e Pará) e Nordeste (Pernambuco e Paraíba).

Impactos na vegetação e na agricultura

O avanço da seca moderada e fraca preocupa especialistas devido aos impactos acumulados na vegetação e na produção agrícola. Mesmo com a redução nos casos de seca severa, a persistência do déficit hídrico pode comprometer lavouras, pastagens e reservatórios estratégicos.

As projeções para o fim de fevereiro indicam tendência de redução da seca moderada a severa, mas com aumento da seca fraca, o que mantém o sinal de alerta para o trimestre.

Crise hídrica: Cantareira e São Francisco

No campo dos recursos hídricos, o cenário é crítico em importantes bacias do país.

O Sistema Cantareira está classificado em seca hidrológica extrema. O sistema encerrou janeiro com 23% do volume útil, na faixa de restrição (entre 20% e 30%), o pior nível para o período desde a crise hídrica de 2014/2015.

Na região Nordeste, o Rio São Francisco, no trecho até a Usina de Sobradinho, atingiu categoria de seca hidrológica excepcional, indicando agravamento do quadro.

Também permanecem em seca excepcional trechos das bacias do Paraná, Tocantins e Araguaia, afetando reservatórios estratégicos e usinas hidrelétricas.

Segundo o Cemaden, as projeções para fevereiro indicam manutenção do quadro atual, com possibilidade de agravamento principalmente nas regiões Sudeste e Sul. No caso do Cantareira, mesmo em cenário de chuvas dentro da média histórica, o volume pode chegar a cerca de 42% até o fim de abril, ainda em faixa de atenção.

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LOC.: O Brasil começa dois mil e vinte e seis com três mil quinhentos e quarenta e cinco municípios em algum nível de seca.

Os dados são do boletim mais recente do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.

Apesar da queda de doze vírgula cinco por cento no número de cidades em seca severa, houve aumento da seca moderada e fraca no país.

Quatro municípios registraram condição de seca extrema: dois em Minas Gerais, um na Paraíba e outro também em Minas.

A região central concentra as áreas mais críticas, atingindo estados do Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

A situação preocupa também nos reservatórios.

O Sistema Cantareira opera com vinte e três por cento do volume útil, em faixa de restrição — o pior nível para o período desde a crise hídrica de dois mil e quatorze.

Já o Rio São Francisco apresenta seca hidrológica excepcional no trecho até Sobradinho.

A previsão para fevereiro é de manutenção do quadro, com risco de agravamento principalmente no Sudeste e no Sul do país.

Reportagem, Jullya Borges.