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LOC 1: Após aumentar a taxa Selic por sete reuniões seguidas, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu interromper o ciclo de alta dos juros e manter a taxa básica em 15% ao ano, nesta quarta-feira, 30 de julho. A decisão já era esperada pelo mercado financeiro.
Como justificativa, o Copom disse que busca ter cautela diante do cenário de maior incerteza gerado pelo tarifaço de Trump aos produtos brasileiros e que a taxa básica de juros pode voltar a ser reajustada.
A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano.
Para a Confederação Nacional da Indústria, a decisão é “insuficiente e equivocada”, e pode consolidar a desaceleração do setor, já observada ao longo do 1º semestre de 2025.
A CNI defende que o Copom deveria ter iniciado um processo de redução da Selic e não de manutenção.
Ricardo Alban, presidente da confederação, afirma que a alta do IOF sobre o crédito vai aumentar em cerca de R$ 5 bilhões o custo para as indústrias, enquanto as tarifas dos Estados Unidos podem causar queda na produção industrial e a perda de milhares de empregos no país.
Para Alban, o momento pede uma política monetária mais favorável.
Setores industriais, como o da construção, sentem o impacto. As taxas de juros elevadas foram o principal desafio do setor, no 2º trimestre de 2025. O entrave foi citado por quase 40% dos empresários, segundo sondagem da CNI e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.
A analista de Políticas e Indústria da CNI, Isabella Bianchi, explica como as taxas de juros elevadas afetam o setor:
TEC./SONORA 1: analista de Políticas e Indústria da CNI, Isabella Bianchi
“Pelo lado da oferta, se o industrial da construção precisar tomar crédito para adquirir capital de giro e começar um novo projeto, por exemplo, ele vai ser impactado pela elevação do custo do crédito, reflete esse aumento na Selic. E de forma similar, ocorre do lado da demanda: para o consumidor adquirir um bem do setor da construção, ele precisa tomar crédito, o que também acaba sendo encarecido pela elevação das taxas de juros.”
LOC 2: O economista André Galhardo aponta que o aperto monetário tem elevado o endividamento e comprometido a solvência de famílias e empresas.
TEC/SONORA 2: André Galhardo, economista chefe da Análise Econômica de São Paulo
“Dados do próprio Banco Central mostram que o nível de endividamento das pessoas físicas atingiu o nível mais alto desde maio de 2016. Em junho deste ano, são 4,3% de inadimplência dentro do sistema financeiro nacional nas pessoas físicas. Isso certamente, em alguma medida, é fruto desse aperto monetário que tem prejudicado a solvência das famílias, das pessoas físicas e também das pessoas jurídicas no Brasil.”
LOC 3: A CNI alerta ainda que os juros altos inviabilizam investimentos empresariais e a modernização da economia. Também dificultam o acesso ao capital de giro e o atendimento de necessidades financeiras. Para os consumidores, comprometem a compra de bens de maior valor, que dependem de crédito.
Reportagem, Janaína Michalskì