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LOC.: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 15.325, de 2026, que reconhece oficialmente a profissão de multimídia no Brasil. Publicada no Diário Oficial da União no início do ano, a nova norma regulamenta a atuação de profissionais técnicos ou de nível superior que trabalham com produção e gestão de conteúdos digitais, audiovisuais e eletrônicos.
A legislação define um amplo conjunto de atribuições para o profissional multimídia, como a criação, produção, captação, edição, planejamento, organização, gestão, publicação e distribuição de conteúdos de sons, imagens, vídeos, animações e textos em diferentes plataformas digitais e mídias eletrônicas. Para defensores da medida, a regulamentação amplia a segurança trabalhista e social de um setor que já atua de forma consolidada no mercado.
A lei teve origem no Projeto de Lei 4.816, de 2023, de autoria da deputada federal Simone Marquetto, e foi aprovada pelas duas Casas do Congresso Nacional. No Senado, o texto recebeu parecer favorável da Comissão de Assuntos Sociais antes de ser aprovado em novembro de 2025.
Apesar do avanço no reconhecimento da profissão, entidades representativas do setor da comunicação alertam para possíveis impactos negativos da norma. A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas, Samira de Castro, afirma que a amplitude das atribuições pode gerar conflitos com profissões já regulamentadas.
TEC./SONORA: Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas
“A FENAJ entende que há um risco concreto de conflito com profissões já regulamentadas, especialmente o jornalismo. Apesar de a lei afirmar que não há prejuízo a outras categorias, essa ressalva é meramente retórica, porque não afasta os efeitos materiais da lei. As atribuições conferidas ao profissional multimídia coincidem diretamente com o núcleo das atividades privativas de jornalistas.”
LOC.: Outro alerta da entidade diz respeito ao risco de substituição de profissionais nas redações e assessorias de comunicação.
TEC./SONORA: Samira de Castro, presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas
“Da forma como a lei foi aprovada, não há garantias efetivas contra a substituição de jornalistas por profissionais multimídia. Ao contrário, o texto cria um ambiente propício para esse tipo de substituição, sobretudo em estruturas mais frágeis; como veículos locais, assessorias de comunicação de prefeituras e agências regionais, a definição ampla e genérica dessas atribuições do multimídia aliada a um regime jurídico mais flexível e menos protetivo tende a estimular empregadores a optar por essa contratação em detrimento do jornalista, reduzindo os custos e os direitos trabalhistas”
LOC.: A Federação defende que a discussão sobre novas ocupações digitais seja acompanhada da atualização das regulamentações já existentes, para evitar insegurança jurídica e impactos nas relações de trabalho no setor da comunicação.
Reportagem, Jullya Borges.