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LOC.: A produção industrial brasileira encerrou o terceiro trimestre de 2025 praticamente estagnada. Segundo a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria, a estagnação veio acompanhada de aumento nos estoques e queda no número de empregos no setor. Um dos principais motivos, segundo a CNI, é a demanda interna mais fraca do que o esperado.
O índice que mede a evolução da produção ficou em 50,1 pontos, o que indica estabilidade em relação a agosto. Já o indicador de emprego ficou em 48,9 pontos, mostrando redução no número de postos de trabalho. Desde 2020, o mês de setembro vinha registrando crescimento, com exceção de 2023.
Os estoques também aumentaram e ficaram acima do planejado pelos empresários. Para o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, esse é um sinal claro de que a demanda perdeu força.
TEC./SONORA: Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI
“É importante notar que esse acúmulo dos estoques indesejados aconteceu mesmo com uma queda da produção. Então, mesmo com uma queda da produção, ter um acúmulo de estoques é um sinal que a demanda surpreendeu negativamente os empresários. Ela veio mais fraca ainda do que os empresários anteciparam.”
LOC.: A utilização da capacidade instalada ficou em 70%, dois pontos percentuais abaixo do nível registrado em setembro do ano passado.
Apesar das dificuldades, a pesquisa mostra uma leve melhora na situação financeira das empresas. O índice de satisfação subiu de 48,4 para 48,9 pontos, e o de lucro operacional avançou de 42,8 para 43,6. Ainda assim, os resultados seguem abaixo da linha de 50 pontos, o que indica insatisfação.
Entre os principais entraves enfrentados pela indústria estão a alta carga tributária, citada por 37,8% dos empresários, a demanda interna insuficiente e as taxas de juros elevadas.
Segundo Azevedo, os juros altos têm efeito direto sobre o consumo e acabam reduzindo a atividade da indústria.
TEC/SONORA: Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI
“Num primeiro momento, isso é muito afetado na demanda por bens que são mais caros, que normalmente necessitam de financiamento, mas isso acaba se espalhando pela economia, as famílias começam a ter um pouco menos de renda, mais endividamento, às vezes até mais inadimplência. Então a demanda de uma forma geral vai caindo e a indústria vem sentindo isso.”
LOC.: As expectativas para os próximos meses são mistas. O índice de exportações subiu dois pontos, para 48,6, indicando queda menos intensa nas vendas externas. Já o otimismo com a demanda interna segue moderado, com o indicador em 52,5 pontos.
O levantamento da CNI também aponta ligeiro aumento na intenção de investimento, que passou de 54,4 para 54,8 pontos.
A pesquisa ouviu mais de MIL E QUATROCENTAS indústrias de pequeno, médio e grande porte entre os dias 1º e 10 de outubro.
Reportagem, Cristina Sena