
Voltar
LOC.: Cento e setenta e oito reais e 92 centavos por segundo. Foi nesse ritmo com que cresceram os gastos dos governos federal, estaduais, distrital e municipais no Brasil em 2026. O levantamento teve como base a plataforma Gasto Brasil, que contabilizou 3 trilhões e 200 bilhões de reais nos 207 dias transcorridos até quando a marca foi atingida, na segunda-feira dia 27 de julho.
Desenvolvida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, em parceria com a Associação Comercial de São Paulo, o painel apresenta os gastos públicos primários de todas as esferas de governo. Ou seja, aquilo que foi realmente pago pelas administrações públicas.
Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB, alertou para a necessidade urgente de uma reforma fiscal nas contas do país.
TEC/SONORA: Alfredo Cotait, presidente da CACB
“Esta conta também não é nossa. Nós lançamos o Gasto Brasil, onde mostramos que o Governo está gastando mais do que arrecada. É o desequilíbrio das contas públicas. Nós temos que trabalhar para falar para o governo: corte de gastos já! Equilíbrio nas contas. É isso que o povo está pedindo.”
LOC.: De forma acessível, integrada e gratuita, o sistema fornece informações das despesas de diferentes áreas de todos os poderes. Os indicadores contabilizam automaticamente informações a partir da base de dados da Secretaria do Tesouro Nacional ao longo do ano.
Cláudio Queiroz, coordenador do Gasto Brasil e consultor da CACB, destaca que o objetivo é ampliar a transparência das contas públicas brasileiras e facilitar a tomada de decisões baseada em evidências e não fazer uma análise qualitativa desses gastos.
TEC./SONORA: Cláudio Queiroz, coordenador do Gasto Brasil
“É uma ferramenta que ela vem para unificar informações. Ela vem de base oficial, onde nós pegamos informações específicas e trazemos uma informação um pouco mais ‘clean’ para que qualquer cidadão consiga entrar e navegar no nosso Gasto Brasil para poder visualizar como está o governo federal, os estados, o município que ele reside.”
LOC.: Nesse ritmo de gastos, segundo análises da Instituição Fiscal Independente do Senado, o Brasil deve completar o 13º ano consecutivo com déficit primário nas contas públicas. Isso significa que, mesmo sem contabilizar o pagamento dos juros das dívidas para investidores, o país fecha o ano com mais despesas do que receitas.
Para Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI, esse é um cenário preocupante.
TEC./SONORA: Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI
“Isso traz preocupações enormes, porque a dívida pública brasileira cresce em ritmo de bola de neve apontando para um percentual proporcional ao PIB, as riquezas geradas pela sociedade brasileira no ano, muito preocupante para um país emergente.”
LOC.: Como resultado de uma parceria entre a CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o “Painel Gasto Brasil”, em funcionamento desde 2025, será lançado nacionalmente em solenidade na Câmara dos Deputados. A iniciativa busca potencializar a divulgação das informações e estimular o debate sobre responsabilidade fiscal.
O evento está marcado para o dia 11 de agosto, quando serão divulgadas novas funcionalidades na plataforma, com recortes econômicos, valores mais detalhados por população e índice de qualidade da informação.
Reportagem, Álvaro Couto.