Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Brasil tem recorde de famílias endividadas e mais contas em atraso, revela pesquisa da CNC

Endividamento chega a 80,2% no país

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O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida — como cartão de crédito, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado e financiamentos — chegou a 80,2% em fevereiro, o maior nível da série histórica. O resultado representa um aumento de 3,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na mesma direção, caiu para 19,7% o total de consumidores que afirmaram não possuir dívidas desse tipo, também o menor patamar já registrado pela pesquisa. Os dados constam em pesquisa divulgada recentemente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

A percepção de endividamento, no entanto, é subjetiva e reflete a avaliação individual dos entrevistados sobre o peso de suas dívidas. Portanto, o indicador não caracteriza necessariamente um quadro de superendividamento, mas sim a forma como os consumidores enxergam sua situação financeira, influenciada por fatores culturais.

Outro dado que acende alerta é o avanço da inadimplência, que, após três meses consecutivos de queda, voltou a subir em fevereiro, atingindo 29,6% das famílias — o maior índice desde novembro do ano passado (30,0%). Já o percentual de famílias que declararam não ter condições de quitar dívidas em atraso recuou levemente para 12,6%, embora permaneça acima do observado em 2025.

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O tempo médio de atraso das dívidas também aumentou, chegando a 65,1 meses, próximo do recorde recente registrado em dezembro de 2024 (65,2 meses). Esse movimento está associado ao crescimento da parcela de inadimplentes com débitos em atraso há mais de 90 dias, que alcançou 49,5%, indicando maior persistência das dificuldades financeiras.

Comprometimento da renda

Em relação ao comprometimento da renda, 19,5% dos consumidores afirmaram destinar mais da metade dos ganhos ao pagamento de dívidas, percentual estável após dois meses de alta. A maior parte das famílias (56,1%) compromete entre 11% e 50% da renda. No total, o comprometimento médio ficou em 29,7% em fevereiro, ligeiramente abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior (29,9%).

Por outro lado, cresceu pelo sexto mês consecutivo o percentual de famílias com dívidas de longo prazo (superiores a um ano), atingindo 32,9%. Embora inferior ao patamar de 35,2% observado no ano passado, o resultado é o maior desde abril de 2025 e indica um alongamento dos prazos, o que pode aliviar a pressão imediata sobre o orçamento das famílias.
 

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LOC.: O número de famílias brasileiras com algum tipo de dívida bateu recorde em fevereiro. Ao todo, OITENTA VÍRGULA DOIS POR CENTO dos lares têm contas a pagar, como cartão de crédito, financiamentos e crediário. Em um ano, houve alta de TRÊS VÍRGULA OITO PONTOS PERCENTUAIS.

Já o grupo sem dívidas caiu para DEZENOVE VÍRGULA SETE POR CENTO, o menor nível da série histórica. Os dados constam em pesquisa divulgada recentemente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.

Vale destacar que o indicador reflete a percepção das pessoas sobre a própria situação financeira e não significa, necessariamente, que todas estejam em dificuldade.
Mesmo assim, a inadimplência voltou a crescer. Depois de três meses de queda, atingiu VINTE E NOVE VÍRGULA SEIS POR CENTO das famílias. E DOZE VÍRGULA SEIS POR CENTO dizem não ter condições de pagar as contas em atraso.

O tempo médio dessas dívidas também aumentou e chegou a mais de SESSENTA E CINCO MESES. Além disso, quase metade dos inadimplentes, QUARENTA E NOVE VÍRGULA CINCO POR CENTO, está com pagamentos atrasados há mais de noventa dias.

No orçamento, DEZENOVE VÍRGULA CINCO POR CENTO dos brasileiros comprometem mais da metade da renda com dívidas. A maioria, CINQUENTA E SEIS VÍRGULA UM POR CENTO, destina entre ONZE E CINQUENTA POR CENTO dos ganhos.

No total, o comprometimento médio da renda ficou em VINTE E NOVE VÍRGULA SETE POR CENTO.
Também cresceu o número de famílias com dívidas de longo prazo, acima de um ano, que já somam TRINTA E DOIS VÍRGULA NOVE POR CENTO.

Reportagem, Marquezan Araújo